Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

docarlos

docarlos

11.Fev.20

EUTANÁSIA «suícida-me por favor»

Homicídio, suicídio ou "nim"?

Periodicamente os filósofos de serviço vêm a público com discussões, cuja importância,  pretende ultrapassar o que realmente é prioritário, como a luta contra um sistema doente, endêmico, corrupto, de exploração, onde a miséria de muitos é o berço da riqueza de alguns. Estas discussões, pseudomodernas, partem geralmente daquela parte da sociedade que nunca na vida irá necessitar e, tão pouco, utilizar o que com elas pretendem, feita através das novas formações politicas, constituídas por meninos "queques" socialmente ignorantes.

 Agora, e mais uma vez, vem ao baile, a questão da eutanásia (nome pomposo para algo muito sério, o "suicídio"?!  assistido), cuja dualidade de critérios e interpretações, não pode ser desvalorizada: o que é para uns suicídio, para os outros, será homicídio, sempre e sem meios entre estas duas definições. A questão, está em saber distinguir em que ponto se podem unir estas duas definições: quando o suicida tem ou deixa de ter discernimento para decidir sobre a sua existência, e quando o homicida consegue pôr de lado, a sua condição de assistente e passa a ser um mero instrumento (arma) do outro.

O problema principal reside na primeira, onde nenhum psicólogo ou psiquiatra teve, tem ou terá competência, para decidir o que o doente, ou velho, pensa sobre si próprio na hora final (uma decisão tomada hoje a frio, nada tem a ver com o pensamento na hora e, quando já não tem capacidade para dizer que "afinal não quero").

Esta indecisão final, passa e servirá sempre, para justificar crimes hediondos, onde, desde um Estado sem escrúpulos se servirá para se livrar de um peso económico incómodo, passando por famílias desestruturadas, até aqueles que verão aí, uma oportunidade para receber uma herança salvadora. A primeira hipótese, secalhar a mais terrível, tem infelizmente antecedentes na política nazi (ou já foi esquecido?); as outras duas, serão praticadas na sombra dos videntes (bruxos) e da corrupção a nível da medicina privada e publica, mas quase impossível de provar.

Hoje, quase todos nós pensamos igual: "só não quero sofrer. Assim, quando já não tiver conserto, quero morrer"; mas isto vem a pensamento, porque não vimos condições clínicas, familiares ou institucionais, para termos uns últimos dias felizes, sem dores, com carinho, que nos faça esquecer o fim, porque se todas estas condições forem reunidas (como ao longo da vida se não houverem preocupações e desgostos), ninguém pensará em suicídio, quer auto, quer assistido.

Portanto, quando aí vem mais uma onda modernaça, tentando legalizar o crime, tal como com as drogas ou foi com o aborto (que devolvendo a dignidade às mulheres por um lado, passou a ser utilizado como contraceptivo por outro, como se pode compreender pela idade das mulheres que a ele recorrem), convém fazer uma análise de consciência, pois está em jogo, antes de tudo, a vida dos nossos pais e avós, ou de nós próprios em caso de doença terminal; análise  e conclusões essas, que terão a ver antes de tudo, com a criação de condições paliativas, quer em hospitais, instituições de apoio ou, principalmente, dentro de casa, começando por dar poder económico, médico e psicológico às famílias; deixando de fomentar o negócio dos lares e outras instituições, privadas, e reforçando os serviços hospitalares.

Fazer aprovar leis que abram caminho à eutanásia, é confirmar a máxima burguesa da liberdade individualista, na qual se baseia esta sociedade que está a apodrecer, exactamente por essa premissa. A liberdade de escolha, egoisticamente levada às suas últimas consequências, é a negação daquilo em que se baseia o modo de vida do Homem, a relação social. A sociedade, é a base das relações da espécie humana, e sem ela, seria impossível a sobrevivência; sociedade, vida em comum, fraterna, de aliança uns com os outros na luta contra e dentro, da natureza. Qualquer laço que se rompa nesta relação, é um passo atrás social. Assim, é nossa obrigação cuidar dos velhos e dos doentes, não matá-los, porque em última análise, a eutanásia é um homicídio em nome de uma possível vontade de suicídio. Só a hipótese de referendo, é já em si um atentado contra a vida, pois pressupõe a morte dos incapazes.

A eutanásia será possível sem quaisquer problemas de ordem social e moral, numa futura sociedade comunizada e nunca nesta podridão desagregada, onde todos, sem excepção, possam usufruir da medicina possível, de apoio psiquiátrico, cuidados paliativos, carinho da família....., enfim, onde a  lembrança da morte, possa ser a excepção que confirme a regra; aliás, como todas as questões de ordem moral que hoje se levantam.

 

09.Fev.20

AINDA SOBRE O IVA

Se dúvidas houvessem, as ultimas manobras da direita (PSD), os negócios do CDS com o PS e, o próprio PS, que resultaram na continuação da taxa de 23% na electricidade, ou se preferirem, na recusa da reposição da taxa mínima, vêm confirmar o meu Post anterior e uma publicação nas redes sociais, em que afirmava que a nossa burguesia gosta de viver da mama do Estado e que, o IVA, se transformou, não num imposto sobre valor acrescentado, mas num próprio valor acrescentado a acumular ao capital; valor esse proveniente, não das mais valias, mas já dos rendimentos de todos, como se duma mercadoria se tratasse.

Assim, um falso valor se vai somando ao verdadeiro valor acrescentado e, por força do sistema capitalista, às mais valias, que extraídas a esse valor, não são pagas; quer dizer, trata-se de um valor sacado aos salários e outros rendimentos, já depois de pagos, que se divide pelo Estado que beneficia o capital, e directamente pelo patronato antes mesmo de entrar na sociedade como imposto; e não falo no sistema fraudulento utilizado com facturas falsas, nem da economia paralela, onde se faz menor facturação, do que aquela  que se obtém.

Nesta questão toda, ainda sobressai a divulgação pelos OCS, da lesão do Estado em milhões, aquando a fuga aos impostos, e o silenciamento sobre o múltiplo prejuízo causado aos consumidores, que têm de pagar um falso valor acrescentado.

Se teoricamente, o IVA é um imposto justo, por incidir sobre os lucros, na prática não é, porque quem o paga por inteiro, sem deduções (no IRS, são mínimas), é o consumidor final, ficando as deduções para os detentores dos meios de produção e comércio. 

E porque sucede isto? Simplesmente, porque não são feitas auditorias às empresas e, também, por ignorância absoluta de muitos  contabilistas e dos próprios empresários, principalmente a nível das PMEs., que acabam por não se interessarem, pois não são eles que pagam o imposto e ainda beneficiarem dos favores estatais e do capital financeiro.

É necessário portanto, que os partidos  ditos de esquerda e os representantes dos trabalhadores, comecem a trabalhar no sentido da modificação do sistema fiscal. Exige-se mais ainda, ao Partido dos trabalhadores e Sindicatos (verdadeiros sindicatos), que tomem a iniciativa legislativa, negocial e, principalmente, pela luta de rua.

Possivelmente, com uma taxação somente sobre os lucros, o capital exigirá lucros mínimos administrativos, o que levará à luta por lucros máximos regulados por lei, principalmente, nos produtos de 1° necessidade, impondo assim limites às leis da oferta e da procura, ou seja, à liberalização do mercado.

Esta, é uma das lutas, ou até a principal luta das forças progressistas, para abrir caminho à socialização da sociedade.

02.Fev.20

IVA — PORQUE TEMOS DE O PAGAR?

Sempre considerei o IVA (imposto sobre o valor acrescentado) o mais justo de todos os impostos do sistema capitalista, isto, porque como o próprio nome o indica, se trata de um imposto sobre o valor que é acrescentado a determinados produtos; mas....

Há sempre um mas para tudo e, aqui, até se podem considerar dois mas.

Primeiro, porque segundo os estudos marxistas sobre mais-valias, somente a produção e transporte, geram valor acrescentado. Segundo, porque quem deve pagar esse imposto, são os beneficiários dessas mais-valias, ou seja, o capital industrial, agrícola e de transporte, mais o comercial que, sem acrescentar valor, vai no entanto, subtrair lucro nas mais-valias criadas a montante.

Então, porque acabam por ser os consumidores a pagar esse imposto, que é reflectido na facturação entremédia e final? Porque motivo, desde a sua introdução, o IVA, aparece acrescentado na factura, como se ele próprio, fosse um valor acrescentado?, ou seja, se um produto desde a sua origem e não for um bem essêncial, pagar p ex, 23%, e passar por: extração, transporte, manufacturação, transporte, armamentista, transporte e comercialização, fica no final acrescido em cerca de 75%, pagos por quem não beneficia de tal lucro. Seja, o IVA, é um imposto que todos pagamos, quando apenas alguns o deveriam pagar, sendo que esses alguns, pagam-no como consumidores e não como beneficiários dos lucros.

Vem isto a propósito da polêmica instalada sobre a cobrança do imposto na electricidade.

Em publicação no facebook, exijo o IVA a 6% na electricidade, exactamente pela ignomia da situação criada à volta da cobrança deste imposto, mas analisando com toda a Justiça, à luz do sistema, o IVA na factura da electricidade, deveria ser 0 (zero), e até poderia continuar nos 23%, desde que cobrados exclusivamente à EDP e empresas similares, e não aos consumidores.

Está na hora de se fazer uma análise profunda, ao sistema de impostos, com o IVA à cabeça, pela sua cobrança injusta, indevida, aos consumidores, mesmo que se tenha em conta, as agora deduções de toda a facturação, no IRS, deduções essas (melhor dito, subtração do imposto pago ao que é cobrado por parte dos industriais e comerciantes), que desde sempre foram feitas a estes. 

Chegou a hora, de os partidos à Esquerda, apresentarem propostas nesse sentido na AR, mesmo que isso tenha de ser discutido também em Bruxelas. O IVA, está a encarecer tudo o que é produto, em percentagens astronômicas, colaborando assim na acumulação de capital.