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docarlos



Sexta-feira, 16.02.18

ECONOMIA SOCIALISTA

                                             RELAÇÕES DE PRODUÇÃO NA PRIMEIRA FASE DO SOCIALISMO

                            Na sociedade capitalista, o produtor incorpora determinado valor, suponhamos 100 a um produto. Fabrica 10 produtos idênticos diariamente, o que pressupõe um total de 1000 em valor. Se necessitar de 500 para viver, então quer dizer que sobra produto no valor de outros 500. Como os meios de produção (fábrica, máquinas, transportes, etc. e ele próprio tem um contrato que o amarra) são propriedade privada de alguém, estes 500 suplementares, após a sua realização em dinheiro, vão direito ao bolso desse alguém, ao que se chama, mais-valias ou lucro.
                            Vejamos então com o auxílio dos números, o que se pode fazer para modificar as relações de produção após a tomado do poder pelo proletariado, seja, redistribuir as mais-valias pelos produtores. Duas maneiras de distribuir:
                            Se o país for rico, auto suficiente, com excedentes, pode distribuir com altos salários, de maneira a que os cidadãos possam acorrer a tudo o que possa suprir as suas necessidades.
                            Se for pobre, com défice elevado na balança comercial, pode distribuir em bens e serviços, quer gratuitamente, quer diminuindo os preços.
                            Como é a segunda hipótese que mais interessa, até porque o boicote a que se sujeitam todos os que fazem a revolução, é quase certo a isso ir obrigar [Rússia/URSS, 1929 > 1953 (só numa fase mais avançada das possíveis revoluções noutros países ou com negócios pré tratados com países capitalistas rivais dos habituais, será possível a primeira hipótese), vamos exemplificar com números, para uma melhor compreensão daquilo que deverá ser feito.
                            Para a primeira hipótese, teríamos um aumento dos rendimentos a retirar das mais-valias. Assim, os 500 passariam a ser distribuídos, após a retirada de p ex 100 para investimentos e manutenções, em mais 100 para o produtor, 100 para o transportador, 100 para o proletário vendedor e 100 para interveniente no processo administrativo.
                            A segunda e mais importante, porque quase certa e, digamos, mais justa, trata-se de retirar as mais valias e reintroduzi-las no processo produtivo, ou seja, em lugar de encarecer o produto com melhores salários, embaratece-lo, como se de um desconto se tratasse (em lugar de ficar por 500, põe se no mercado abaixo do seu valor real, p ex 400. Se isto for feito na produção dos meios de produção, seja, na indústria pesada, toda a mais-valia pode ser integrada na economia, distribuindo os 400 restantes, no investimento de 100 em mais meios de produção, 100 em transportes, 50 em serviços, 100 em saúde e 50 em educação «números abstractos». Seja, as mais-valias em lugar de serem apropriadas individualmente, vão subsidiar salários [também eles tendencialmente a baixar em menores proporções], e ser investidas na educação, saúde e demais necessidades não rentáveis no imediato.
                            Esta subsidiação, vai acabar por aumentar poder de compra e, simultaneamente, impedir as importações, acabando por obrigar todos a trabalhar, segundo o princípio que quem não trabalha não come. Desenvolve o país e [cria um sentimento de necessidade de trabalho e, subjectivamente, solidariedade e cumplicidade entre todo o proletariado]} ver final.
                            É evidente que, os números apresentados, nunca poderão ser reais, apenas serviram para exemplificar o sistema, esse sim já passado pela experiência (anos 30s e 40s na URSS), mãe de todas as teorias. Todo o processo, após a tomada do poder e de transformação das estruturas, será lento e o abaixamento dos preços e consequente aumento da capacidade de consumo também (na ex URSS, fazia parte dos planos quinquenais, não passando por vezes, das casas decimais estando directamente ligado às estatísticas e ao planeamento da economia), ou mesmo na casa 0 e negativas, dependendo do avanço ou recuo do processo.
                           Este processo, vai levando lentamente a sociedade para o fim da moeda mercadoria de troca, gratuitidade de produtos e serviços, e para a auto gestão, primeiro em determinados produtos, depois na globalidade «esta, somente quando todos os países atingirem, no mínimo, um grau de desenvolvimento socialista já avançado».
                           Os estudos efectuados sobre o chamado período Estalinista, comprovam a justeza económica deste sistema, assim como, a única possibilidade de transformar as relações de produção capitalistas. Este reinvestimento, não só aumenta a produção do que já se produz até ao necessário segundo o planeamento, como introduz no fornecimento ao consumo, outros produtos novos, satisfazendo assim as crescentes necessidades dos povos.
                            Dirão os habituais contraditórios, (se de direita, que é impossível o desenvolvimento sem iniciativa privada); se de "esquerda?" à esquerda, que este problema e resolução, só cabem num país, ou seja, que a sua impossibilidade é uma certeza, devido à globalização da economia....!!? Nada mais falso, por dois motivos: um, que a globalização, é uma treta, como o demonstra a variedade de leis administrativas na própria burguesia, variando de país para país e até, dentro da UE ou dos EUA; o outro, porque a exploração não é feita globalmente ou regionalmente, mas país a país, segundo especificidades próprias. A exploração, não é igual na Europa, ou na Ásia, podendo-se até considerar, que os explorados da primeira, são também beneficiários da exploração da segunda, tal como acontecia com as colónias. A própria expressão, correctíssima, de ««Imperialismo»», desmente a outra de ««Globalização»», Havendo Imperialismo, com Globalização, este só poderia ser exercido sobre possíveis habitantes de outros planetas.
                           Mas vamos tratar da questão da cultura socialista imposta por uma nova ordem económica. 
                           Esta questão explica o "terror" imposto por Moscovo nos meios rurais da URSS, durante o período Estalinista (anos 30s) do século passado, durante a colectivização forçada. A falta de preparação ideológica do mundo rural e dos operários enviados como comissários políticos, preparação essa impedida por uma série de conjunturas, fez com que esses comissários impusessem algo para que o campesinato não estava preparado, algo que mesmo correcto, não era aceite por estes, algo que os próprios comissários políticos e os seus ajudantes de campo, a Konsomol, não interiorizavam, confundindo directivas com ordens, do Soviete Supremo, com consequências trágicas na sociedade, mas que implantou a ordem económica socialista que atirou a URSS para a ribalta da política e da economia internacional. Quando o "terror" acabou, e até a burguesia que se tinha infiltrado no Partido e no Estado, tomarem conta do poder e alterar a ordem económica, a URSS deu um salto extraordinário, provando assim que o caminho da economia, estava certo, que era socialista e poderia levar o país a uma sociedade superior.
                              

 

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por docarlos.blogs.sapo.pt às 14:23


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