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docarlos



Terça-feira, 12.08.14

O que é o meu (nosso) salário

                    Por vezes, discute-se muito sobre a necessidade do "patrão" ou não. Se somos nós que tarbalhamos para o salário, ou se é o patrão que nos paga, fazendo um favor, visto que é ele que tem o dinheiro.  Vou tentar de forma simples, curta e clara, revelar o sistema que vivemos.

                   

                    Comecemos pelo principio, o mais óbvio, apesar de todos o esquecerem quando se fala em economia: tudo o que a natureza (que comporta os seres vivos e a matéria inanimada) nos fornece, é gratuito; ela não cobra nada por aquilo que dá ao Homem.

                    Se tivermos isto em conta, e que é indesmentivel, então porque qualquer produto, tem um preço, um valor? Simples: é o preço do trabalho. O preço do trabalho que dá a sacar os bens da natureza, a fabricar utensilios, para esses fins e a destribuir os mesmos, em bruto ou transformados. Qualquer produto, por mais simples ou sofisticado que seja, só e apenas tem nele incorporado, o preço do trabalho, que por o Homem ser um ser social, é o preço social do trabalho.

                    Esta proposição economica, que já data do século XIX, nunca foi capaz de ser desmentida e, é facilmente comprovada, por qualquer contabilista ou simples empregado de qualquer empresa, que tenha acesso às contas da mesma.

                    Normalmente, tanto o capitalista como o cidadão comum, têm a sensação de que à medida que os produtos mudam de mão, vão incorporando uma precentagem a que chamam de lucro. Nada mais errado. Vamos ver porquê.

      

                    Subjéctiva e inconscientemente, a sociedade não paga mais por qualquer produto, do que aquele que ele vale em trabalho. Pode oscilar um pouco, conforme a oferta ou a procura, mas todos os produtos, têm um preço médio, e é esse o valor de uso para cada cidadão. Se uma camisa, tiver um trabalho incorporado no valor de 10, ela pode descer aos 9 ou subir aos 11, mas nunca ninguém dará por ela, 20.

                    Então, como nasce o lucro?

                    Quando monta uma unidade industrial (uma pausa para informar que só a industria, agricultura em modo capitalista e transportes, incorporam lucro), o proprietário do meio de produção, angaria trabalhadores, com quem faz um contrato, em que se compromete a pagar um determinado salário, por um trabalho de 8 horas diarios. Como ele sabe que existe um pacote ou cabaz minimo de sobrevivência para o trabalhador (alimentação, saúde, instrução dos filhos, roupa, calçado e transportes e, algum lazer, que se define por salário minimo), torna possiveis por meios técnicos e humanos, que cada trabalhador, consiga produzir das 8 h. às 12 h. o suficiente para lhe pagar o salário desse dia.

                    Aqui, vamos supor que a camisa tem em matéria prima e consumiveis, um valor 7 a quem o trabalho para a fabricar, lhe acrescenta 2. Se o salário contratado, estiver pago ao meio dia, com 10 camisas, isso quer dizer, que o trabalhador, vai nas 4 horas subsequêntes, produzir outras 10, onde incorpora mais 20 de trabalho, mas não recebe, porque o seu contrato, o obriga a trabalhar 8 horas pelos 20 que ganha de manhã. Ninguém fica em falta, todos cumprem. 

                    São esses 20 incorporados nas camisas, da parte da tarde, que se tornam o lucro, a juntar a estes 20, terá de se pôr , p. ex. 1, do valor acrescentado nos transportes até ao retalhista.

 

                    São estes 20+1=21, que se tornam o lucro da parte final da camisa, mais o que vem de trás, desde a sementeira do algodão, colheta, tranporte, fábrico dos tecidos, etc., que por sua vez, serão divididos pelo industrial, comerciantes, bancos (quando há créditos), etc. Repare-se, que é com esta parte, que se formam todas as riquezas existentes no mundo. É com esta parte mais as poupanças dos trabalhadores, quando as há, que se fazem os jogos em bolsa e, que criam as bases para o crédito em dinheiro virtual, pago mais tarde com os tais lucros e impostos, ou seja, com dinheiro verdadeiro.

                     Mas estes 100 % de lucro, que corresponde a uma taxa efectiva de 30 % tendo em conta o custo ao consumidor, ou de 22 % no industrial que analisamos, são uma taxa média correspondente aos anos 50/60s do século passado, em tempo da grande expansão industrial na Europa, porque agora, essa tendencia é para aumentar, visto que em termos relativos, a produtividade é muito maior e os salários  não crescem à mesma velocidade; e, a diferenciação ainda é muito maior, esmagadoramente maior, em relação aos países do 3º Mundo, onde o salário, chega a ser 5 e menos por cento dos custos da produção: quase escravatura assalariada, apenas para pura sobrevivência fisica.

 

                     Espero ter sido elucidativo, quanto ao que representa o nosso salário, porque quanto à origem dele e de toda a propriedade privada dos meios de produção, essa é uma história com mlhares de anos: é a História das sociedades, desde que o homem começou a apropriar-se de terras e outros homens, e se dividiu em classes e, sempre que a parte minoritária da sociedade, deteve os meios de produção.

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por docarlos.blogs.sapo.pt às 20:36


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