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docarlos


Sábado, 28.04.18

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A CAMINHO DO SOCIALISMO 1

«Os Órgãos de Vontade Popular» e a «Ditadura do Proletariado»

A ditadura, é a imposição da vontade de uma facção da sociedade sobre a outra. Pode ser da minoria sobre a maioria, ou da maioria sobre a minoria.
Até agora geralmente, têm sido as minorias a impor a ditadura sobre as maiorias e, por consequência, esta é musculada, violenta, imposta com armas [com forças armadas especializadas: polícia de choque, polícia politica, leis que estão sempre preparadas com outras, para serem anuladas pelas forças de segurança, com parlamentarismo onde só os partidos representantes das classes opressoras têm poder legislativo com governos daí derivados, com sistema educativo de preparação para a aceitação das políticas de exploração e opressão]. É a ditadura da burguesia sobre o povo trabalhador, sobre o proletariado.
Então como será o oposto, a ditadura do proletariado?
Primeiro, temos de considerar o que é a ditadura. Esta, é tudo o que possa estar para além das considerações socionormais na sociedade.
Portanto, a existência de órgãos de assembleia, que não constem constitucionalmnte, ou mesmo democraticamente eleitos, onde a vontade maioritária do povo representado, se imporá sobre as minorias opressoras, nelas também representadas, irão impor uma ditadura sobre as mesmas, não necessitando sequer de exercer a repressão fisicamente violenta, se as classes opressoras aceitarem a democracia, respeitando as derrotas políticas. A resolução dos problemas por via democrática, exercendo por si próprias o exercício ditadurial (tendo em conta a esmagadora maioria proletária que compõe a sociedade, é fácil compreender a ditadura do proletariado;
[Assembleias Populares (Comissões de Trabalhadores, de Moradores, de Freguesia, de Bairro, Sindicatos, etc.)], mesmo a par com as instituições burguesas, poderão impor a sua vontade, por serem representativas, e acabar com o poder destas, até ao seu desaparecimento, forçando a um poder central que prolongue ao mais alto nível, o novo poder popular. A violência física, será sempre, portanto, um acréscimo por desobediência das classes que de opressoras,

(que só por milagre, entregarão o poder socialmente).
No entanto, este novo poder popular, pode ser contraproducente, sendo um travão ao processo que se quer revolucionário: porquê?
Porque um Órgão Popular, democraticamente eleito (um soviete, para dar um exemplo concreto), é o represente social do local, da empresa, etc., de que faz parte. [um Órgão Eleito na zona "Chic" de Cascais, Quinta da Marinha, nunca será revolucionário, nem terá representantes proletários]. [Também Comissões de Trabalhadores de empresas com altos índices tecnológicos, ou de prestação de serviços médicos, ou de enfermagem, ou de aviação Civil, p ex, dificilmente elegerão representantes revolucionários]. [Para completar o quadro pessimista, actualmente, será difícil um Órgão Popular revolucionário, fora do Distrito de Setúbal e AML.
Esta, a grande dificuldade em fazer a Revolução em Portugal e noutros países considerados desenvolvidos. Os últimos anos, décadas, têm sido pródigos no desaparecimento do proletariado produtivo, da classe operária, dando lugar a um desenvolvimento tecnológico que, ou trás consigo o desemprego, ou a transformação de um proletariado rendido ao modo de vida burguês, quer na produção, quer nos serviços, já por si pouco dados à consciência de classe.
A Revolução proletária, é já por si a grande transformação da democracia burguesa em democracia proletária [(socialismo e ditadura do proletariado, são sinônimos de democracia do povo, e o primeiro não faz sentido sem a segunda), transformando—se então, numa ditadura proletária, partidária, minoritária, que por muito revolucionária que se inicie, acabará por se transformar num polo burocrático a exercer a ditadura sobre a burguesia do passado e o proletariado do presente, abrindo caminho a uma nova burguesia, instalada no poder, a usufruir das benesses socializantes do sistema]

 

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por docarlos.blogs.sapo.pt às 19:11

Sexta-feira, 16.02.18

ECONOMIA SOCIALISTA

                                             RELAÇÕES DE PRODUÇÃO NA PRIMEIRA FASE DO SOCIALISMO

                            Na sociedade capitalista, o produtor incorpora determinado valor, suponhamos 100 a um produto. Fabrica 10 produtos idênticos diariamente, o que pressupõe um total de 1000 em valor. Se necessitar de 500 para viver, então quer dizer que sobra produto no valor de outros 500. Como os meios de produção (fábrica, máquinas, transportes, etc. e ele próprio tem um contrato que o amarra) são propriedade privada de alguém, estes 500 suplementares, após a sua realização em dinheiro, vão direito ao bolso desse alguém, ao que se chama, mais-valias ou lucro.
                            Vejamos então com o auxílio dos números, o que se pode fazer para modificar as relações de produção após a tomado do poder pelo proletariado, seja, redistribuir as mais-valias pelos produtores. Duas maneiras de distribuir:
                            Se o país for rico, auto suficiente, com excedentes, pode distribuir com altos salários, de maneira a que os cidadãos possam acorrer a tudo o que possa suprir as suas necessidades.
                            Se for pobre, com défice elevado na balança comercial, pode distribuir em bens e serviços, quer gratuitamente, quer diminuindo os preços.
                            Como é a segunda hipótese que mais interessa, até porque o boicote a que se sujeitam todos os que fazem a revolução, é quase certo a isso ir obrigar [Rússia/URSS, 1929 > 1953 (só numa fase mais avançada das possíveis revoluções noutros países ou com negócios pré tratados com países capitalistas rivais dos habituais, será possível a primeira hipótese), vamos exemplificar com números, para uma melhor compreensão daquilo que deverá ser feito.
                            Para a primeira hipótese, teríamos um aumento dos rendimentos a retirar das mais-valias. Assim, os 500 passariam a ser distribuídos, após a retirada de p ex 100 para investimentos e manutenções, em mais 100 para o produtor, 100 para o transportador, 100 para o proletário vendedor e 100 para interveniente no processo administrativo.
                            A segunda e mais importante, porque quase certa e, digamos, mais justa, trata-se de retirar as mais valias e reintroduzi-las no processo produtivo, ou seja, em lugar de encarecer o produto com melhores salários, embaratece-lo, como se de um desconto se tratasse (em lugar de ficar por 500, põe se no mercado abaixo do seu valor real, p ex 400. Se isto for feito na produção dos meios de produção, seja, na indústria pesada, toda a mais-valia pode ser integrada na economia, distribuindo os 400 restantes, no investimento de 100 em mais meios de produção, 100 em transportes, 50 em serviços, 100 em saúde e 50 em educação «números abstractos». Seja, as mais-valias em lugar de serem apropriadas individualmente, vão subsidiar salários [também eles tendencialmente a baixar em menores proporções], e ser investidas na educação, saúde e demais necessidades não rentáveis no imediato.
                            Esta subsidiação, vai acabar por aumentar poder de compra e, simultaneamente, impedir as importações, acabando por obrigar todos a trabalhar, segundo o princípio que quem não trabalha não come. Desenvolve o país e [cria um sentimento de necessidade de trabalho e, subjectivamente, solidariedade e cumplicidade entre todo o proletariado]} ver final.
                            É evidente que, os números apresentados, nunca poderão ser reais, apenas serviram para exemplificar o sistema, esse sim já passado pela experiência (anos 30s e 40s na URSS), mãe de todas as teorias. Todo o processo, após a tomada do poder e de transformação das estruturas, será lento e o abaixamento dos preços e consequente aumento da capacidade de consumo também (na ex URSS, fazia parte dos planos quinquenais, não passando por vezes, das casas decimais estando directamente ligado às estatísticas e ao planeamento da economia), ou mesmo na casa 0 e negativas, dependendo do avanço ou recuo do processo.
                           Este processo, vai levando lentamente a sociedade para o fim da moeda mercadoria de troca, gratuitidade de produtos e serviços, e para a auto gestão, primeiro em determinados produtos, depois na globalidade «esta, somente quando todos os países atingirem, no mínimo, um grau de desenvolvimento socialista já avançado».
                           Os estudos efectuados sobre o chamado período Estalinista, comprovam a justeza económica deste sistema, assim como, a única possibilidade de transformar as relações de produção capitalistas. Este reinvestimento, não só aumenta a produção do que já se produz até ao necessário segundo o planeamento, como introduz no fornecimento ao consumo, outros produtos novos, satisfazendo assim as crescentes necessidades dos povos.
                            Dirão os habituais contraditórios, (se de direita, que é impossível o desenvolvimento sem iniciativa privada); se de "esquerda?" à esquerda, que este problema e resolução, só cabem num país, ou seja, que a sua impossibilidade é uma certeza, devido à globalização da economia....!!? Nada mais falso, por dois motivos: um, que a globalização, é uma treta, como o demonstra a variedade de leis administrativas na própria burguesia, variando de país para país e até, dentro da UE ou dos EUA; o outro, porque a exploração não é feita globalmente ou regionalmente, mas país a país, segundo especificidades próprias. A exploração, não é igual na Europa, ou na Ásia, podendo-se até considerar, que os explorados da primeira, são também beneficiários da exploração da segunda, tal como acontecia com as colónias. A própria expressão, correctíssima, de ««Imperialismo»», desmente a outra de ««Globalização»», Havendo Imperialismo, com Globalização, este só poderia ser exercido sobre possíveis habitantes de outros planetas.
                           Mas vamos tratar da questão da cultura socialista imposta por uma nova ordem económica. 
                           Esta questão explica o "terror" imposto por Moscovo nos meios rurais da URSS, durante o período Estalinista (anos 30s) do século passado, durante a colectivização forçada. A falta de preparação ideológica do mundo rural e dos operários enviados como comissários políticos, preparação essa impedida por uma série de conjunturas, fez com que esses comissários impusessem algo para que o campesinato não estava preparado, algo que mesmo correcto, não era aceite por estes, algo que os próprios comissários políticos e os seus ajudantes de campo, a Konsomol, não interiorizavam, confundindo directivas com ordens, do Soviete Supremo, com consequências trágicas na sociedade, mas que implantou a ordem económica socialista que atirou a URSS para a ribalta da política e da economia internacional. Quando o "terror" acabou, e até a burguesia que se tinha infiltrado no Partido e no Estado, tomarem conta do poder e alterar a ordem económica, a URSS deu um salto extraordinário, provando assim que o caminho da economia, estava certo, que era socialista e poderia levar o país a uma sociedade superior.
                              

 

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por docarlos.blogs.sapo.pt às 14:23

Segunda-feira, 09.10.17

Definição de violência

                        Como poderemos definir violência?

                        Considerando o movimento, seja na natureza, nos seres vivos, ou na sociedade, perpétuo, originador da mudança pela luta constante de dois ou mais contrários, poderemos sem sombra de dúvida, considerar violenta qualquer evolução qualitativa, isto, porque para a parte derrotada, a perda será sempre uma violação do seu estado, que apesar de estar sempre em mudança quantitativa, se mantém durante um determinado tempo/espaço, estável na sua aparência exterior. No entanto e, erradamente, é facto aceite sem discussão, que entre seres vivos e, em especial entre humanos, quer individualmente, quer em sociedade, violência é agressão física e, mais recentemente, violência psicologica.

                        Partindo do pressoposto atrás descrito, teremos então de considerar toda e qualquer quebra de equiibrio, violência sobre o contrário que cede a sua vez de lider, ao opositor, iniciando assim um novo ciclo de crescimento, de movimento quantitativo, com novo ou novos contrarios, que irão mais tarde, também eles, exercer o seu direito violento. Se uma guerra, uma revolta, um assalto, um atentado terrorista, uma luta entre jovens estudantes, um homicidio, são actos violentos, então, teremos que considerar a acção de um bombeiro sobre a chama, um testamento, uma expropriação compulsiva, a erosão natural, como acções violentas sobre o incêndio, sobre os deserdados naturais, o proprietário, o desgaste do areal perante o bater das ondas, a formação de dunas, actos violentos.

                        São estas concepções sobre vioência, que se tem de considerar quando se lê Marx ou Engels, ou mesmo Lenine, tendo em atenção as diversas opções sociais com que eles se deparavam na história e nas suas épocas. A acção violenta das massas sobre a burguesia, não se confinava à violência fisica da tomada do poder, mas a toda a Revolução Socialista, à ditadura do proletariado, onde, quer com a nova legalidade, quer psicologicamente, quer pela força fisica, seria e será necessario impôr a nova concepção democratica da destribuição produtiva, ou seja e simplificando, a terceira opção pode e deve ser aplicavel, na correspodência directa da reacção burguesa, e não obrigatoriamente, até porque, um comunista, além da sua condição natural de revolucionário, é, tem de ser, acima de tudo um humanista, ou não fosse o seu objectivo, a classe única, para acabar com as injustiças.

                        Quando se discute a Revolução, resumi-la à força fisica, à considerada violência fisica, mesmo na tomada do poder, é ter uma concepção estreita, redutora das imensas possibiidades que se abrem no momento da passagem de um estado ao outro (o fascismo caíu praticamente de forma pacifica, dando lugar a uma terceira revolução burguesa/democratica). No momento da revolução, da mudança qualitativa, se a nova concepção da sociedade tiver as armas do seu lado, ou na pior das hipóteses, numa situação neutra, a considerada violência fisica será desnecesaria, por impossibilidade de reacção dos vencidos, tal como o acto violento de apanhar um fora da lei sem resistência.

                        Antes do acto revoucionário, é dever do revoucionário garantir o máximo de peso social do seu lado. Atrair todo o proletariado, quer operario ou não, mesmo aquele que pelos seus rendimentos, se aproximem da burguesia proprietaria, garantirá a perda de força da reacção, garantindo assim o mais possivel, a passividade do processo no durante e no depois. Desejar encostar à parede, todos os que escolherem o lado errado, o lado perdedor, sem trabalho de conquista das mentalidades, é fazer o jogo daqueles que depois se revoltarão e tentarão readquirir o poder perdido. O que se passou no chamado Verão Quente, culminando no contra golpe de 25 de Novembro, quando uma onda, na prática antirevolucionária, separou o país em operários e burgueses, só porque eram proprietários de casa ou terrenos de subsistência, é a prova de que a violência, não é só fusis e cacetes, nem que o pacifismo comunista, é revisionismo marxista, reformismo ou oportunismo.

 

                       

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por docarlos.blogs.sapo.pt às 15:26

Domingo, 17.09.17

O MATERIALISMO HISTÓRICO ESQUECIDO

 

 

                        PORTUGAL  (países desenvolvidos)

                                     Karl Marx deixou-nos em legado o materialismo histórico, ou a ciência do materialismo dialéctico de Engels, aplicada ao desenvolvimento do Homem e das sociedades por si constituídas. Foram estes dois homens, estudiosos, filósofos, revolucionários, que demonstraram que nem a matéria nem a sociedade, se podem afastar das leis da natureza da qual são parte integrante. Eles, principalmente Marx, estudaram as sociedades passadas e actuais (deles) e, com o resultado do estudo, conseguiram prever a forma futura do desenvolvimento social. Deram-lhe nome (comunismo) e preveriam a forma de a atingir (socialismo), mas, nunca especificaram, o que fazer durante a fase de transição, nem mesmo como será o estádio supremo atingido, até porque, o desenvolvimento social não pára, mesmo que aparentemente, a última classe da qual depende a sociedade, tome o poder e abula todo o sistema de classes em que se divide a mesma.
                      O estudo do capitalismo (sociedade actual na quase totalidade do Planeta), explanado em "O Capital", obra prima sobre a economia capitalista, levou à conclusão, tendo em conta que a economia depende de uma determinada classe que, sob pena do desaparecimento da raça humana, é obrigada a tomar o poder, sempre que as relações de produção, não correspondem ao modo de produção, de que é a classe dos produtores (operários fabris ou do campo não proprietários), que será  obrigada subjectiva e objectivamente, a tomar o poder e a exercer no futuro, a distribuição da produção (actualmente, no capitalismo, esta é social porque feita em interdependência por grandes blocos produtivos complementares, e distribuída não de forma social, mas de
apropriação privada), de forma mais justa e adequada à produção.

                      A divisão do mundo em parcelas políticas, económicas e militares, faz parte do desenvolvimento histórico do Homem, fruto da apropriação para fins privados, da produção e dos territórios a ela ligados. Na pratica e teorias materialistas marxistas, são fruto da exploração do homem pelo homem e da respectiva luta de classes, ao longo de milhares de anos, não sendo portanto, algo inventado pela burguesia, tendo esta apenas mantido o sistema, com as mudanças fronteiriças que lhe são convenientes. Esta, a luta de classes, é exactamente isso: luta de classes, não querendo dizer que seja a do proletariado com a burguesia, mas também entre as diversas subclasses existentes no seu seio, ou mesmo, entre diversas classes principais, como foi no caso da monarquia, em que a luta de classes se fazia em três campos: nobreza/burguesia, nobreza proletariado/serviçais e burguesia/proletariado. Nesse tempo, a contradição e luta principais, eram entre a nobreza e a burguesia, agora, é entre a burguesia e o proletariado. Esta's contradições e respectivas lutas, têm sido o motor da História, que não se pode confundir com o desenvolvimento social, que é fruto principal do desenvolvimento das forças produtivas.
                     Vai caber à Classe Operária, como principal força do sector produtivo, a vanguarda do processo revolucionário que irá transformar as relações de produção, e conduzir a humanidade a um novo estádio, que, sendo o último de uma escala formada na exploração do homem pelo homem, não será com toda a certeza o fim da História.

                    O climax do capitalismo, já chegou?

                     Quanto ao exposto atrás, parece ser consensual entre os marxistas-leninistas, o desenvolvimento futuro. No entanto, existe um problema teórico, que pode ditar a vitória ou a derrota da revolução proletária, seja na tomada do poder, seja depois na transformação das relações de produção, de onde sobressai a "destruição" do aparelho de Estado e de toda a superstrutura que está ao serviço da burguesia, para dar lugar a uma nova estrutura ao serviço das novas forças no poder. Esse problema, centra-se na "altura certa" para a mudança qualitativa que deverá sobressair da soma quantitativa do desenvolvimento das forças produtivas e suas relações, e da luta de classes daí saída.
                     No entanto, há quem pareça não ver, ou não querer ver, e disso fazer uma leitura marxista, que o capitalismo é ainda muito jovem (como detentor do poder, tem somente dois séculos), apesar de nalguns casos, como os monopólios e a subida dos Truts a sistema financeiro, com o domínio quase planetário. Note-se que já no tempo de Marx, o capitalismo parecia estar na sua agonia, e ainda mais no tempo de Lenine, o que até levou este e o Partido Bolchevique, a fazerem a Revolução proletária. Isto quer dizer, e prova, que as coisas não serão assim tão simplistas. 
                     O mundo está dividido administrativamente, como afirmei acima. O Capital, está sempre confinado a um determinado território, quer seja como sede, como factor produtivo ou negocial (tenho consciência de que esta afirmação é polémica nos meios marxistas e não só).  A questão do domínio mundial através das multinacionais ou do capital financeiro, não lhe retira o carácter nacional, apesar de ele próprio não olhar a meios, nem ser patriota. A própria burguesia, faz questão dessa divisão, não só para confundir as suas próprias instituições estatais com os impostos, como também para poder melhor controlar as massas de trabalhadores e, com a exploração de uns, garantir o consumo por outros (os consumidores que dão lucros estão nos países desenvolvidos), enquanto os produtores, estão nos países pobres ou em vias de desenvolvimento. 
                     Então, como foi ou é isto possível?
                     Simples. Os chamados países desenvolvidos, já foram grandes produtores. Tiveram grandes massas operárias, e até estiveram à linha de água para poder fazer a Revolução proletária, mas a burguesia jogou em dois carrinhos: deslocou a produção para onde a mão-de-obra era mais barata, e fez dos operários dos seus países, "pequeno-burgueses (pequeníssimos)" a quem deram alguns rebuçados. O sistema, garantiu lugares em trabalho não produtivo, como o turismo, administrativo, criou Estado Social, reformas chorudas, sistema educativo quase gratuito com licenciaturas e doutoramentos em áreas intelectuais, etc., na Europa criou uma espécie de liberdade interestadual, que fez dos periféricos consumidores dos países centrais, que por sua vez importam das multinacionais, suas, nos países em vias de desenvolvimento; e que recebem as massas ex operárias em férias turísticas, todas contentes por ir ao estrangeiro.
                     A Classe Operária nos países desenvolvidos, praticamente desapareceu, ou pelo menos, morreu como enorme classe de vanguarda do proletariado em geral. Dos velhos revolucionários, aqueles que a morte ainda não levou, restam as mui respeitosas "múmias" que compõem alguns, poucos, dos partidos revolucionários, que não se conseguem impor perante o poder do dinheiro, que joga a rodos em forma de crédito ao consumo e imobiliário, para as mãos de uma juventude rendida ao imediato, que está intelectualmente impedida de pensar no futuro. A produção desapareceu, e o que resta de acrescentadores de valor e de mais valias, é sobretudo na área dos transportes que no entanto, apenas o acrescentam à produção importada.
                     Em contrapartida, nos países em vias de desenvolvimento, existem grandes massas operárias, especializadas, mas não intelectualizadas com uma formação pluriprodutiva, ou seja, um operário sabe apertar meia dúzia de parafusos, mas não montar a peça por inteiro; sabe moldar e aplicar um pára-choque numa viatura, mas não sabe ler um desenho técnico e montar toda a chapa da mesma. O trabalho reparte-se muitas vezes, por uma dezena ou mais de horas, não deixando tempo para a associação de classe, lazer, etc. Estes, que aparentemente teriam condições para liderar uma revolução proletária, estão muito longe de ter condições ideológicas e práticas para tal. 
                    Já nos países desenvolvidos, essas condições estão ainda mais longe, depois de terem estado à beira das condições ideais para a tomada do poder. Se nos países em vias de desenvolvimento, é uma questão de organização e de reivindicações ao capital, no ocidente, é sobretudo uma questão ideológica, pois ninguém sente directamente a exploração do sobre-produto que não produz, embora todos saibam que "ganham pouco". É caso para dizer, que houve um retrocesso na formação de classes produtivas, o que trouxe um igual retrocesso ideológico, isto apesar dos grandes avanços científicos e de melhoramento das condições de trabalho.   
                     
                   À pergunta portanto, a resposta lógica é não. O capitalismo, ainda não chegou ao fim e, quando parecendo 
estar na agonia final, sempre aparece o coelho da cartola: foi o crédito à habitação, que logo amarrou toda a juventude que queria constituir família; foi o crédito ao consumo em larga escala, que deu acesso ao que só as classes médias e altas teriam; foi a propaganda ao facilitismo ideológico, com o desvio do pensamento daquilo que realmente é importante; foi a apologia das liberdades individuais, que se contrapõe à solidariedade; foi a exaltação à propriedade. Ao contrário do que se afirma, o futebol e a religião, deixaram de ser alienações para a juventude, passando a ser um passatempo para os mais velhos, ficando a juventude apenas com a oneração da violência desportiva, com claques subsidiadas para impôr o terror. A grande alienação jovem, está nas redes sociais e em tudo o que se consegue nelas, que, por sua vez, não são redes "sociais" mas redes  de alto individualismo, atordoador de consciências, que impedem os jovens e não só, de contactar directamente uns com os outros. Nas redes sociais, sobressaem os jogos violentos, a música aleatória metalizada, o sexo, as chachadas cor de rosa, as mentiras e a deturpação histórica.

                    O mundo proletário está portanto, dividido, com a agravante, de que aquele mais desenvolvido, já terá passado pela ocasião revolucionária, que não se deu porque aquilo a que habitualmente se chama de revisionismo soviético, não o permitiu, em nome dos valores da paz e que não passou de calculismo ante capitalismo. Poderia fazer—se a Revolução proletária já? Sim, poderia se não existissem fronteiras, nações, religiões. Mas elas existem, e não são apanágio da burguesia: são também e, sobretudo, uma questão cultural das massas, por muito que isso custe aos marxistas do Já. 

                    Temos portanto, que ver as condições existentes em cada país, em cada região, em cada continente. O materialismo histórico, diz—nos que será a classe operária em aliança com os camponeses (estes agora estão indirectamente fora do processo, por motivo do alto desenvolvimento das forças produtivas mecanizadas e químicas, sendo apenas auxiliares no processo global), a liderar todos os proletários, devido à sua alta condição de consciência de classe, de explorados e de que depende todo o mundo. 

                    Será que esta classe operária se pode deseenvolver já em socialismo? Sim pode e deve, mas para se estar em socialismo, é necessário fazer a Revolução, o que sem CO, é historicamente impossível (este é o materialismo histórico esquecido por muitos). Sem ovos, não se podem fazer omeletes, embora depois de as haver, possam existir mais galinhas a pôr ovos.

                    Quem desenvolveu no seu seio a classe operária e o proletariado em geral, ou seja, quem arranjou lenha para se queimar? O capitalismo. Foi a sede do lucro, que criou o seu próprio coveiro. Então, não resta alternativa, do que fazer uma reanimação da máquina capitalista nos países desenvolvidos, tendo como principal objectivo, a criação de uma classe operária consciente e liderativa, tendo como cenário imediato, a diminuição das importações, o que irá impor em simultâneo, a crise nos países em vias de desenvolvimento, criando assim condições a uma Revolução por lá, o que irá auxiliar em muito, as condições revolucionárias cá. É por isso, que o regresso aos espaços nacionais, se torna tão importante, embora possam por vezes, existir associações de paises mais ou menos com o mesmo nivel económico. O aproveitamento dos novos movimentos jovens, como o BE, o Podemos, o Siriza, a Front de Gouche, etc, onde a par de muito oportunismo, estão em grande maioria gente generosa e convicta das suas possibilidades em mudar o mundo, é uma imposição da sociedade e dos marxistas, dos verdadeiros revolucionários.

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por docarlos.blogs.sapo.pt às 10:27

Segunda-feira, 28.08.17

A LUTA FEMINISTA

             Na sociedade, como em tudo na natureza, a luta entre facções, pressupõe a luta pela supremacia, seja de classes (a principal), desportiva, entre sexos, etc. Não há empates e, uma igualdade absoluta é teorica e praticamente impossível. Tudo o que poderá atingir a igualdade, serão apenas os direitos e deveres, pois a igualdade não existe.                   Portanto, a luta feminista, nunca pode ser pela igualdade e se for levada ao extremo, a sociedade passará de patriarcal a matriarcal, sem qualquer dúvida, pois a condição biológica da mulher, dá—lhe à partida melhores condições de sobrevivência. Feminismo, será portanto o machismo de vagina e procriador.

                No subconsciente do homem, essa questão está sempre presente, daí a resistência secular ao levantar da cabeça da mulher, tornando esta luta inglória do ponto de vista feminino, carregada de injustiças, pois o lado que detém o poder, é mais forte do ponto de vista econômico.

                 Curiosamente, podemos constatar que na luta feminista, sobressai sempre a luta por cargos e económica, nunca reivindicando a mulher, que o homem faça a cama, o comer ou limpe a casa, nem mesmo, que cuide do filhos. Quem está sempre na linha da frente, é a burguesa e nunca a operária, pois essa tem consciência das diferenças biológicas que a opõe ao homem e consequentemente, das limitações em termos sociais (o caso mais flagrante, é a da disponibilidade em tempo pós parto com amamentação).

                 Deixemo—nos de demagogias, é lutemos por salários iguais para trabalho igual, admissão laboral sem condições quanto a filhos, não perda de trabalho em caso de maternidade, participação na direcção empresarial ou política por mérito e não por quotas, etc. Essa sim, é a verdadeira luta pelos direitos da mulher, porque os resultados alcançados, trazem por si as diferenças inultrapassaveis, equilibrando as condições. Tudo o mais, não passa de tentativa de virar o machismo em feminismo e, vice—versa.

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por docarlos.blogs.sapo.pt às 03:40

Sábado, 13.05.17

FRIEDRICH ENGELS, KARL MARX e LENINE

                       TEORIA E PRÁTICA NOS TEMPOS DE HOJE

                       No ano em que se comemora o centenário da primeira Revolução Proletária (comecemos por a definir assim, pois se o objectivo primário seria o Socialismo, como transição para o Comunismo, ela só nos finais dos anos 20s do século passado, se iniciou como Socialista, com os resultados que sabemos), está na ordem do dia, a questão de quem faz a revolução, quem a dirige e como.
                       Friedrich Engels, estudou a natureza e desenvolveu cientificamente a teria do Materialismo Dialéctico, ou seja, a história do movimento, da influência do todo no particular e deste naquele, e das contradições por ele geradas e a transposição da matéria de um estado para outro em forma de desenvolvimento evolutivo, aliás, como Darwin o fez em relação às espécies biológicas.
                       Com base neste conceito cientifico, Karl Marx, estudioso da economia e filosofias do seu tempo, aplicou o mesmo à história das sociedades, em particular do capitalismo, então nessa altura naquilo que ele considerou o seu auge. Com diversas obras publicadas, quer relativas aos temas filosóficos com criticas tremendas aos filósofos burgueses, que a pretexto de combaterem as filosofias religiosas, apresentavam um materialismo estagnado, mecânico, tentando por todos os meios, mostrar que com o capitalismo, teria chegado o fim da evolução das sociedades, visto que a liberdade para a política, a economia e social, era transversal a todos os cidadãos, foi no entanto com  o "O Kapital", que ele desmontou toda a temática da exploração do homem pelo homem e que, com base na evolução, o mundo social não pararia por aí, e que outra sociedade se iria sobrepor ao capitalismo: mais fraterna, mais justa, sem classes, a comunista.                                          
                        Rapidamente, vamos passar dois exemplos destas teorias cientificas, ou antes, destes comprovados fenómenos dialécticos, um na natureza e outro na sociedade: 
                       Se tomarmos uma vasilha de água do frigorífico e a colocarmos sobre um fogão, à sua volta a temperatura é alterada em alguns décimos de grau para baixo (influência do particular no todo). Se após esse movimento, ligarmos o lume, é a vez da temperatura no interior da vasilha ir-se alterando em crescendo (influência do todo no particular) até atingir os 100º, temperatura em que a água passa do estado liquido ao gasoso (de mudança quantitativa enquanto cresce, em qualitativa). 
                       Vamos agora analisar estes fenómenos, na sociedade:
                       Durante o regime feudal, foram crescendo no seu interior, duas classes económicas, o artesão e o comerciante citadino, o burguês. A crescente necessidade de consumo, obrigou a duas coisas: a um maior fabrico de objectos e a uma maior produção agrícola. Para isso, diversos artesãos, foram transformando os meios de produção e os comerciantes, a novos meios de transporte, o que obrigou  ao desaparecimento gradual do artesão e pequeno comerciante, e ao aparecimento do capitalista e do comerciante armazenista, dando lugar a uma produção massiva para a qual eram necessários mais braços, aos quais eram pagos determinados valores que chegassem para o seu sustento e reprodução, o que correspondia a determinado numero de objectos produzidos, p. ex., os que eram produzidos em meia jornada de trabalho, ficando a outra meia, por pagar (isto, porque subjectivamente, o consumidor só pagar o valor de trabalho incorporado, variando apenas o preço, na ordem do mercado, ou seja, na relação da oferta e da procura) era o fermentar de uma nova classe económica dominante, a burguesia (fenómeno quantitativo da sociedade).
                        Quando se chegou a um ponto de tal maneira contraditório, entre a liberdade de criação e as relações feudais de rendas, terças, guerras sucessórias, luxos exorbitantes da nobreza, etc., a burguesia tomou em mãos o poder, sendo o grande símbolo dessa passagem, a Revolução francesa de 1789 (mudança qualitativa).
                        Com este palavreado, já muitos críticos marxistas, estarão a dizer «este, pensa que somos ignorantes, e vem para cá com o ABC da cartilha marxista», no entanto, desde alguns anos a esta parte, após os tempos revolucionários de Abril, que uns pseudó eruditos da Filosofia Marxista, parecem ter esquecido, que estas são as bases do materialismo Dialéctico e do Materialismo Histórico, fundo em que se sustenta toda a Filosofia inerente ao materialismo, que os autores do Manifesto deram ao proletariado e a todo o mundo, como arma para derrotar os exploradores daqueles que nada têm a não ser a força de trabalho para venderem aos detentores dos meios de produção.
                         Tudo o que se relaciona com a matéria e a sociedade, onde se inclui a sua vida espiritual, depende da análise correcta que se faça de cada fenómeno, e das soluções que se encontrem para cada um; é o método dialéctico. Os ditos eruditos, de tanto quererem mostrar serviço, retiveram na massa cinzenta, a prática Leninista da revolução sem ter em conta, que para se chegar a essa mudança qualitativa, fundamental, mudança totalmente arrasadora dos velhos conceitos burgueses em favor dos novos, proletários,  de construção de uma nova sociedade sem classes, são necessárias antes, mudanças quantitativas, que trazem contradições e sub contradições no seu interior, até a contradição principal, aquela que opõe a burguesia ao proletariado, para então a revolução possa pôr as relações de produção a iniciar um novo processo, fazendo a distribuição corresponder à forma de produção,  ou seja, pondo fim a uma produção social e a uma apropriação privada.

                          É esse fenómeno quantitativo, que se vai reiniciar na Revolução Socialista,  continuando a luta de classes, mas ao mesmo tempo, indo uni-las até à classe única: uma nova mudança qualitativa.

                          Exposto estas bases teóricas,  fundamentais para a correcta compreensão do materialismo histórico, chega a altura de se perguntar se depois das experiências já efectuadas e dos avanços e recuos, ainda se pode considerar as relações de produção nos países desenvolvidos, prontas para serem alteradas? É evidente que não. É certo que cada vez o fosso é maior entre explorados e exploradores,  mas também é certo, que sempre o capitalismo tem achado solução: depois de bons salários (países do centro da Europa nos anos 60, 70 e 80), este para não perder o mercado consumidor, ainda criou o crédito virtual, com a emissão de moeda que não inflaciona,  atrasando assim aquilo que parecia inevitável,  a Revolução proletária; e continua a progredir: já se fala na reestruturação das dividas, o que libertará muitos milhões de milhões de dólares,  que evitarão por um lado, aumento de salários;  não prejudicará a continuação de grandes lucros e fará aumentar o consumo, e também ou em alternativa,  a criação de um Rendimento Básico Incondicional, o já famoso RBI. Portanto, ainda não estão reunidas todas as condições básicas para uma Revolução proletária, por muito que com ela se sonhe.

                         Entre os explorados e entre os exploradores, existem misturas de classes com diferentes poderes económicos, sociais e culturais, em que algumas proletárias, conseguem maiores rendimentos, estatuto e cultura, do que algumas das burguesas que vivem da exploração proletária. Um engenheiro ao serviço de uma grande empresa de construção, p. ex., consegue rendimentos muitas vezes superiores ao patrão de uma pequena fábrica têxtil. Um professor universitário, que vende a sua força de trabalho intelectual ao Estado e à sociedade, ganha e sabe muito mais, do que o proprietário de uma quintinha no interior, que por vezes, apenas possui a instrução primária. Um Presidente de União de Freguesias, na Capital, ganha mais do que um Presidente de Câmara no interior quase deserto do país, etc., e o mais curioso, é que são todos personagens com grande influência sobre as pessoas do seu meio, o que vem influenciar em muito a cultura e os costumes em cada região, país e nação.

                         Hoje, uma fábrica modernizada com facturação na casa dos milhões, emprega duas dezenas de produtores, mas tem ao seu serviço,  outros tantos trabalhadores não produtivos que portanto, não acrescentam valor ao produto fabricado; são eles: administrativos, limpeza, vendedores (internos e armazenistas e retalhistas externos), técnicos informáticos,  etc., mas que auferem salários, muitas vezes, superiores aos operários,  sobre quem caem as responsabilidades produtivas. Levam dinheiro que não é pago aos operários, que faz parte da tão propalada produtividade. O proletário,  que se divide em três sub classes (operário produtivo,  não produtivo mas acrescentador de valor, e não produtivo) não mais se desloca de bicicleta ou a pé,  com o farnel levado de casa, nem anda remendado. Aliás,  é no proletariado não produtivo mas que acrescenta valor aos produtos, que está a chamada classe média: é aquele que projecta, de quem dependem os recursos humanos, que ensina, dando valor acrescentado intelectual, que forma cada vez mais operários de alto nível,  etc. De que lado está este proletariado? É que ele, é proletariado, pois o próprio Marx, que no início só considerava proletário o que acrescentava valor e operário o que produzia, veio mais tarde a englobar todo o assalariado no conceito, num reconhecimento que mostra o seu alto nível filosófico. O mundo, está em mudança contínua,  como que a justificar a Filosofia materialista, dialéctica. Os grandes contingentes operários,  de proletários em geral e de camponeses, já não existem, mesmo nos países onde as multinacionais actuam e exploram, onde se produz em massa, mas cujos engenheiros, projectistas  e gerentes de recursos humanos, estão nas sedes ou a elas ligados, nos países desenvolvidos.

                          Quem não vir estas realidades, não vê nada. Está cego, ou pela cultura burguesa, ou pela transformação da filosofia marxista em dogma. Aliás,  como hão de notar, na exposição das minhas ideias, não lanço mão dos chavões dos teóricos marxistas: tento expor as suas teorias aos tempos actuais, tal como não aponto soluções, apenas as coloco à discussão. Não uma outra maneira de encarar o marxismo, reformista, de conciliação de classes, mas deste como estudo da evolução da sociedade em geral e da portuguesa em particular. Não conciliar o proletariado à chamada pequena burguesia, numa política de traição, mas conciliar as diversas camadas proletárias, resolvendo as suas contradições, para que todos um dia, possam fazer a página da História dar a volta, reiniciando outras relações de produção.

                           
                       

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por docarlos.blogs.sapo.pt às 17:59

Terça-feira, 25.04.17

UNIÃO SOVIÉTICA 1929 -1953/56

                        Preambulo
                        
                        Se queremos aprender com os erros, e com os êxitos, temos de obrigatoriamente de analisar dialécticamente os factos, sejam eles quais forem. Uma análise desapaixonada à luz, da história, da luta de classes, da cultura, da espiritualidade (sem esquecer o importantíssimo pormenor do seu atraso relativo à materialidade das relações presentes).

                        Para analisar este período histórico da União Soviética e, por consequência, de toda a humanidade, será extremamente importante, saber com exactidão o período precedente após a Revolução de que se celebra este ano o centenário e, também, todo período que se seguiu à morte de Estaline, principalmente após o XX Congresso do PCUS que legitimou Nikita Kruschev no poder.
                        Três períodos importantes da História da humanidade, em que no curto espaço de tempo de 74 anos, a mesma Revolução, passou de pretensões socialistas e deu «.......Passos Atrás», ao Socialismo e à recuperação capitalista, por capitulacionismo do sistema. É no que se passou, com Lenine antes, e no durante com Estaline, que podemos compreender o último período em que o socialismo caiu, desmoronando-se como um castelo de cartas.

                        Democracia Popular Soviética - economia socialista vs capitalista. 

                        Culminando um curto período revolucionário burguês - Fevereiro a Outubro -  o proletariado russo com Lenine na vanguarda do Partido bolchevique, toma o poder em Outubro, colocando assim a cereja no topo do bolo, visto que os Sovietes eram maioritariamente compostos por proletários (sovietes ou assembleias votados e organizados em pleno período burguês, o que desmente muitas teorias que dizem impossibilitar estas organizações democráticas com a vigência burguesa). Entendia Lenine, o grande prático da filosofia marxista, que estariam reunidas as condições criadas com o capitalismo, para se avançar com a Revolução Socialista na construção do Comunismo, o que se revelou pouco tempo depois, impraticável, não só pelo atraso crónico do capitalismo russo (curiosa comparação possível com o nosso), como pela consequente ideologia dominante, que não só, não era burguesa, como em muitos aspectos, era ainda feudalista.
                        Lenine compreendeu então, a mensagem fundamental de Marx, de que o capitalismo tinha de gerar no seu seio todas as contradições possíveis, para assim assegurar uma passagem victoriosa ao socialismo, tal como todas as tentativas burguesas antes de 1789, tinham falhado, por não estarem reunidas essas condições (Em Portugal, foi tentado a passagem ao capitalismo em 1383/85, portanto, 400 anos antes da Revolução francesa e 440 antes da victoria liberal, e em Inglaterra, nunca foi conseguida, tendo sido sempre uma estranha aliança entre burguesia e nobreza, apesar do domínio dos primeiros). Também na Rússia revolucionária, o falhanço económico foi uma constante: guerra civil, falta de estruturas fabris, depreciação da moeda, boicotes ocidentais, estrangulamento da agricultura, etc.

                       Que fazer então? Passada a ilusão inicial, o Partido chegou a conclusão de que a economia capitalista,  não em todos os seus aspectos, mas nalguns cruciais, como a iniciativa privada em alguma produção e a livre concorrência,  fariam elevar as contradições, desenvolver os meios de produção e a consciência das massas. Era o passo atrás,  para poder dar o passo em frente, com firmeza e determinação. 

                       Assim, reiniciou-se um novo período de economia capitalista, sob a orientação e controlo do proletariado. Uma Nova Política Económica, NEP, que deveria conduzir ao extremar de contradições e à consequente passagem revolucionária ao Socialismo que por sua vez, teria de conduzir ao Comunismo. Esta política económica, com todas as suas consequências estruturais e ideológicas, conduziu o país até aos finais dos anos 20s, altura em que a facção Estaline se impôs no Partido e decidiu dar inicio, ou reiniciar, por considerar estarem maduras as condições, a revolução socialista, com a grande colectivização, principalmente nos campos. É este ponto de viragem, que tem de ser estudado ao pormenor: por estar correcto, ser tardio ou prematuro?! 
                      Como opinião pessoal, com base em aturado estudo da economia marxista, fonte do materialismo histórico, tenho por prematura e, por consequência, assentar numa forte repressão na intensa luta de classes que se seguiu.Repressão,  que fez agudizar ainda mais a luta de classes, que naquela época eram em menor numero do que hoje, tendo por laços entre si, a dependência de milhões de miseráveis, perante uma minúscula minoria que vivia na opulência, muitos ainda, com títulos nobiliárquicos, à custa dos mesmos.
                       Um pormenor que parece arredado do pensar, quer de "marxistas" bem intencionados, quer da pequena burguesia do "socialismo democrático", é o de ignorarem o tempo decorrido entre a revolução de Outubro, e a colectivização, esta até aos inícios dos anos 50s e mesmo o tempo da transformação económica até finais dos anos 80s: 70 breves anos. O que quer dizer, que a uma criança nascida na Revolução, ainda ser possível estar naturalmente viva no fim da URSS. Um Homem jovem, na casa dos vinte em 17, era de meia idade nos anos 40s, no período critico da II Guerra e das grandes convulsões no Partido e no país. Não havia portanto o Homem Novo, educado para o socialismo: continuava a haver burguesia e proletariado, do antes da Revolução.A situação política e a correlação de forças, era a mesma de Outubro, o que impunha uma determinada e resoluta luta, de morte muitas vezes, entre o proletariado e a burguesia. Não podia haver contemplações. Era o nós ou eles!
                       A sociedade capitalista, é um processo económico, onde a burguesia se apoderou e apodera dos meios de produção. Tem a trabalhar para si imensas pessoas a quem paga apenas uma parte do que produzem, apoderando-se da outra, acumulando assim Capital. Só, e apenas quando a luta entre os explorados e os exploradores chega a um ponto de tal modo agudo, em que já não é possível qualquer sobrevivência por parte da burguesia, é que se dá o embate final que faz virar a História, para o estádio seguinte. Enquanto os detentores dos meios de produção, tiverem meios também, de distribuir e apoderar-se da produção, esta viragem é impossível, e se se fizer, está condenada à derrota. A inoportunidade da Revolução Socialista da URSS nos finais dos anos 20s, e a guerra, deram uma nova oportunidade ao capitalismo, tal como agora o sistema financeiro, deu um novo alento, retardando a correspondência necessária, entre a produção social e a distribuição também social.
                      Lembro, que alguém do BE, disse à pouco tempo, que os marxistas podiam gerir bem o capitalismo, melhor do que os capitalistas?! Apesar das inúmeras criticas de que essa afirmação foi alvo, ela é na verdade certíssima. Se alguém estudou o capitalismo, foi Marx; portanto, qualquer bom marxista, pode perfeitamente gerir o capitalismo em toda a sua plenitude, pois sabe perfeitamente os segredos desta sociedade do lucro e da exploração, coisa de que a maioria dos capitalistas, nem sequer tem consciência. Mas Lenine sabia-o, e com esse conhecimento, procurou reavivar e explorar as contradições inerentes ao mesmo.
                      Mas a luta dentro e fora do Partido bolchevique, era intensa. As maiorias favoráveis à política Leninista, eram pouco expressivas, não pelos seus interesses, mas pela sua mentalidade ainda dos tempos czaristas e dos inícios da burguesia. Em qualquer momento, uma maioria virava minoria e vice-versa. Com a morte de Lenine, ainda mais acesa ficou essa luta. Havia luta de classes fora, mas dentro do Partido, a luta era outra: era entre diversas linhas "marxistas", umas traidoras aos ideais, outras apenas apontando diferentes caminhos à Revolução. Estaline, soube gerir, impondo-se e fazendo avançar a Revolução Socialista; para ele e seus partidários, era impossível continuar a política de dois estados económicos dentro de um só Estado (lamentavelmente, o mesmo se veio a confirmar com um Estado socialista no seio de uma comunidade internacional capitalista)
                      E a grande aventura da humanidade, avançou. Durante mais de vinte anos, uma política económica socialista, impôs-se na União das Republicas Socialistas Soviéticas.

                      União das Repúblicas Socialistas Soviéticas    
                                                                                     A questão económica

                      Propositadamente, este subtítulo está a cores diferentes. Porque se entrou objectivamente numa economia que se pode considerar socialista, com uma distribuição social correspondente à produção; por outro lado, a luta de classes fora do partido e a luta interna entre as diversas facções, mais a guerra para defesa do país e do socialismo, fizeram diminuir a democracia soviética, deixando os sovietes quase ornamentais, colocando nas mãos do partido e do Estado, toda a política, quer económica, quer de guerra.
                      Foi esta deficiência democrática, que abriu as portas a uma camada burguesa, herdeira da burguesia e da nobreza, e às facções dissidentes dos comunistas, quer à esquerda, quer à direita, que impossibilitada da victória eleitoral ou violenta, devido à mão de ferro de Estaline e seus companheiros na defesa do socialismo, se começou a infiltrar no Partido, no Estado, nas empresas, na comunicação social, nas escolas, em toda a vida pública. Ajudaram Estaline e, após a sua morte, tiraram o tapete ao partido e ao proletariado revolucionário que ainda restava.

                      Mas como se processou esta política económica socialista? 

                      Em qualquer sociedade, há os que produzem bens de consumo e meios de produção,  aquilo que na gíria capitalista, se chama de agricultura, indústria e indústria pesada, mais os que transportam esses produtos até à consumo: são os camponeses, operários e operadores de máquinas de transporte. Os únicos que dão valor real, que acrescentam valor ao que já tem de outros anteriores. Toda a outra massa populacional, desde comerciantes, banqueiros,  políticos, artistas ou simples assalariados vendedores, de limpezas,  etc., sobrevivem de valor criado pelos anteriores e que não lhes é pago.

                     No capitalismo, tendo em conta que os meios de produção e de transporte, são propriedade privada, os produtores que têm de sustentar os outros, apenas recebem uma pequena parte do que produzem, pois todo e qualquer objecto apenas cobra a si mesmo, o valor nele incorporado. Isto quer dizer que, de 100 objectos produzidos, o produtor recebe p. ex. 50; outros 20 vão para a camada não produtiva e os restantes 30, para o patrão. Assim se acumula capital, quer para investimento, quer para benefício e luxo da burguesia.

                     Ao colectivizar a produção,  o Partido e o Estado Soviético,  expropriaram a burguesia, nacionalizando através do Estado e tornando toda a sociedade proprietária dos bens nacionais, assim passando a beneficiar de toda a produção.  Nisto, quem perdeu foi a burguesia,  passando o proletariado, produtor e não produtor, a beneficiar da parte a que se chama lucro ou mais valia, que ficava em poder da burguesia.

                    Prevê-se, segundo Marx e Engels, que no comunismo, a sociedade seja auto reguladora, não se produzindo mais nem menos do que o necessário, estando neste necessário,  incluído todo o avanço do progresso das sociedades a todos os níveis.

                    Mas em socialismo, etapa de passagem do capitalismo para o comunismo, onde a luta de classes e demais contradições entre classes e subclasses continua, esta não pode ser auto regulável por incapacidade ideológica e logística. É aqui que o Estado, como componente principal da superstrutura social, tem um papel essencial na actuação estatística, programática,  produtiva e, essencialmente, distributiva. Não se trata de capitalismo de Estado, como os detractores do socialismo o pretendem classificar, mas de um meio de gerir as relações de produção.  Capitalismo de Estado, é aquele que a maioria dos países capitalistas, desenvolvidos ou com implantação forçada,  como a fascista, utilizam por incapacidade a partir de certa altura, de investimento e segurança do sistema ( p. ex., incapacidade para a construção de uma autoestrada ou de desenvolver uma guerra de agressão,  longe de portas) embora depois os lucros da autoestrada e os despojos de guerra, sejam para benefício do Capital; pagam todos, lucram alguns. Portanto, capitalismo de Estado, é este a trabalhar para que o Capital beneficie ainda mais, da mais-valia.

                    Sabemos que Lenine, classificou os inícios do socialismo, como capitalismo de Estado, mas também temos de saber distinguir esta expressão simplista, indicadora de que esta estrutura supra social, se apoderaria da mais valia ou sobre produto, gerindo depois em benefício da sociedade, da verdadeira indicação marxista, sobre capitalismo de estado, onde este é um mero instrumento do Capital. O grande revolucionário, nunca chegou a saber, que a sua expressão simplesmente comparativa para melhor compreensão dos revolucionários e das massas, acabou por servir os detractores da Revolução. 
                    Estando ciente de que as ideias são reflexo do mundo que nos rodeia, de que, portanto, nunca ganharemos consciência social (a revolucionária e solidária, ganha-se na luta), se os meios de produção e a distribuição não forem feitas de maneira correcta, que no socialismo é a de «a cada um segundo a sua contribuição», em aposição ao comunismo, em que «cada um receberá consoante as suas necessidades, independentemente da sua contribuição», o Partido e o Estado soviético, começaram por distribuir as mais valias ou sobre produto socialista, em bens e serviços: uns gratuitamente, outros apenas cobrando os preços de custo ou ainda menos. Assim, se formou uma sistema de Saúde e Educativo gratuitos; habitação universal, consoante os rendimentos; transportes a menos que o preço de custo; aquecimento, pão e carne, igualmente abaixo do preço de custo, etc. Caros, ou com cobrança lucrativa, tudo o que seria considerado, não de luxo, mas acima das necessidades primárias. Sendo portanto, as ideias, o reflexo do mundo que nos rodeia, isso quer dizer que um Homem, tendo dinheiro mais ou menos fácil para se sustentar e à família, seja com um bom salário, ou com fundos subsidiários, de desemprego, ou mais recentemente com o sistema de crédito ao consumo, etc., cai sempre na tentação de abandono do trabalho, deixando este de ser uma necessidade, para ser um "frete", levando portanto, no conjunto da sociedade, à abstenção produtiva e à falência de um país. Tendo em conta que o Capital. a partir de certa altura, quando as taxas de lucro são diminutas, algo muito bem explicado no "O Capital" por Marx com a tendência geral da baixa da taxa de lucro, e quando já tem a barriga cheia e se entrega apenas à especulação financeira, deixa de investir na produção, encarregando os grandes grupos económicos dessa operação, geralmente nos países de baixo custo da mão-de-obra, de cariz imperialista, é isto que sucede nas sociedades capitalistas.
                     Assim, o Estado soviético, teve a preocupação de: 
                     Pleno emprego (habituação ao trabalho e rendimentos condizentes as necessidades extra produtos gratuitos).
                     Evitar as importações desnecessárias e consequente endividamento, mais dependência ao exterior.
                     Tempos livres, para a pratica desportiva (quase universal para os indivíduos saudáveis), estudo e demais interesses culturais.
                     Fomentar uma cultura individual, baseada na musica, dança, jogos de tabuleiro, literatura, cinema, teatro, opera, circo, pintura, etc.
                     Incutir o espírito colectivo, com a participação nas Forças Armadas e na solidariedade pelos outros povos, e naquilo que acabou por falhar por causa da Guerra e da violenta luta de classes: a discussão permanente dos problemas do país.
                     A colectivização, principalmente nos campos da Ucrânia onde a mentalidade era muito retrograda, provocou o caos na distribuição e na própria produção, quer com as falhas de organização, quer com os boicotes a que a burguesia e a nobreza sujeitaram o que ficava, com incêndios e destruição e, a guerra revolucionária. Em consequência, a fome e as doenças fizeram uma grande devastação, embora não tanta como a que a propaganda ocidental faz crer. A provar as mentiras fabricadas pelos espertos pseudo intelectuais politicólagos dos EUA e da Inglaterra, imediatamente secundados por lambedores fascistas e afins do resto do mundo capitalista, está o crescimento económico na casa dos dois dígitos, tanto na industria, como na agricultura e, o mais importante do ponto de vista humano, apresentado pelos média, como um holocausto, um genocídio do Estado Estalinista sobre o povo ucraniano: o crescimento demográfico (,http://www.horadopovo.com.br/…/s…/2704-24-09-08/P8/pag8a.htm) (artigo muito interessante) que a ser verdade a perda de sete a dez milhões de pessoas, equivalia a que as mulheres nascidas na Revolução de 17, as únicas a ter cem por cento de capacidade para engravidarem, teriam de ter cinco, repito, 5 filhos cada, o que não só é estatisticamente impossível, como cientificamente, está provado, que a industrialização massiva, tal como a instrução/educação, reduzem a natalidade. Para além disso, nunca esquecer que pela URSS, passou a mais terrível Guerra de todos tempos e, que só aí, se perderam 20 milhões de pessoas. Os dados dos censos de 1926 e 1937/39, não são  fiáveis , devido às convulsões internas do país.

                     Com a distribuição alicerçada nas mais valias da produção  intermédia, inclusive dos meios de produção e dos impostos a eles cobrados às  empresas e incorporados no retalho, o investimento foi constante, feito à  medida de uma nova formula de política económica, os Planos Quinquenais, onde os serviços de estatística mais as necessidades primárias, eram a bitola para que não  houvesse superprodução, origem das crises sistémicas do capitalismo, e onde as necessidades básicas, sempre em crescendo, fossem supridas numa ordem prioritária. 

                      Por sua vez, se analisarmos as finanças publicas pelo lado capitalista, não havia défice, devido a emissão  de moeda dentro dos parâmetros dos Planos Quinquenais, como não  havia superavit ou lucros finais, tal como funcionam as sociedades de interesse publico, com despesas obrigatórias em balanço  equilibrado com as receitas.

                      A velocidade de crescimento, que em alguns anos, foi de cinco a dez vezes superior ao dos países capitalistas, não  intervenientes ou destruídos pela guerra, elevou a URSS de um crescimento lento, de saída  do feudal para o capitalismo a que a NEP a conduzia e de destruição, a segunda potência mundial só  ultrapassada pelos EUA, que como sabemos, não  teve guerra no seu território, e ainda beneficiou da "ajuda?" a outros países, que deles ficaram reféns, tornando-se numa potência  imperialista. 

                       Nunca um país, criou, tantos doutores em diversas áreas, tantos engenheiros, tantos e tão  bons atletas, tanta habitação,  tantos transportes públicos, tantos centros de saúde, tantos intelectuais....Por falar em intelectuais, é  altura de fazer uma breve passagem pelos famosos Gulags, ou campos de concentração por lá  conhecidos e tratados, como colónias ou sanatórios de reabilitação. 

                       Dispostos estrategicamente no chamado meio do nada, eram no inicio campos com barracões, que devido as distâncias  da chamada civilização e ao inóspito meio envolvente, não  necessitavam de barreiras ou guardas (quem morreu, foi por impossibilidade de continuar uma fuga começada, ou por alguma doença  não tratada urgentemente) que a pouco  e pouco, se foram transformando em aldeias e estas em cidades. Foram feitas pelos seus utilizadores, como principio básico de reeducação pelo trabalho. De lá  saíram homens e mulheres formados, intelectuais de grande nomeada, quer para o socialismo; quer para o outro lado da barricada, sendo depois acolhidos no Ocidente, com o pomposo titulo de "dissidentes": Mas a maioria, ficou e alinhou com a Revolução. As muitas mortes, que as houve, foram no inicio, mas que depois na medida que iam criando os meios de sobrevivência, foram eliminadas, chegando alguns campos, a terem médias de idades superiores às  de grandes centros.

                     Esta fórmula de distribuição da riqueza, sem elevar os salários,  mas dando-lhes sustentação na baixa periódica dos preços, negando assim a possibilidade subjectiva de abandono do trabalho abrindo portas ao défice produtivo em favor das importações,  foi a mais inteligente  economia posta em prática e ao serviço, pelo homem e do homem, só possível como resultado de uma análise marxista da espiritualidade humana, e que põe em relevo, a lei fundamental do materialismo histórico/dialéctico,  de que é a matéria, o desenvolvimento dos meios de produção e a sua correspondência funcional com a distribuição, relações de produção, que originam as ideias, e não a ideia que precede a matéria. 

                    Defendem alguns que em socialismo, as empresas e os seus trabalhadores, têm de ser autónomos, com a participação constante dos trabalhadores nas decisões sobre produção e repartição dos resultados. Será isto possível? Sim, até é, mas as empresas teriam de ser únicas num determinado espaço político/geográfico, ou seja, p. ex., em Portugal, deveria só haver uma fábrica de cimento, uma de conservas, uma de camisolas, uma cerveja, etc. teria de haver uma só herdade a produzir peras, outra melão, outra trigo, etc. como resultado, nenhuma teria espaço nem estruturas para acudir às necessidades do país, para além de que, uns produtos renderiam muito mais do que outros, desnivelando progressivamente o poder económico dos trabalhadores de uma produção para outra, ou seja, o inverso do que é desejável no socialismo, a convergência de capacidade económica.
                    No caso de haver mais do que uma empresa produtiva no mesmo sector, então, embora os trabalhadores pudessem dividir entre si os "lucros" ou sobre-produto, elas passariam a competir entre si, o que em breve tempo, transformaria um capitalismo individual, num capitalismo de empresas cooperativas, com todos os inconvenientes daí advindos, especialmente na sobre-produção e crises.
                    Será isto, na realidade, socialismo? Torna-se evidente que não. Poderia ser no inicio, mas nunca seria o caminho para o comunismo. Seria a utópica anarquia.
                    Foi isto, este saber económico, que levou os dirigentes soviéticos, a ter o Estado, como panificador e mediador entre empresas e cooperativas, tal como manda o marxismo: Revolução, tomada do poder, transformação do Estado burguês em Estado proletário. A diferença, está no sempre crescente poder do estado burguês, como meio repressivo e económico, mesmo no liberalismo, e a progressiva destatização do Estado proletário, ate ao seu desaparecimento total no Comunismo, dando lugar a uma auto regulação das relações de produção.
                    Pois bem, se houve uma distribuição da riqueza, onde sem excepção, todos recebiam as mais valias ou valor do sobre-produto, sem prejuízo das diferenças salariais emanantes da contribuição de cada um, que dava acesso a umas tantas regalias, como o caso de maior número de roupa e de melhor fabrico, possibilidades de viagens para qualquer ponto da URSS, ou cobria necessidades não prioritárias, como o automóvel ou 2ª casa (Datcha) numa região de férias. Tudo isto, sem descriminação, quer fossem os beneficiários, de origem proletária ou burguesa, desde que participassem com o seu trabalho para a construção do novo país. Pode-se considerar sem dúvida, que economicamente, a URSS era Socialista. 
                    Então, temos um problema para resolver, pois muitos marxistas dizem que a URSS ou qualquer outro país, nunca foi ou foram socialistas; quer dizer, nunca construiram o comunismo, conforme o materialismo histórico. Não! A União Soviética, foi economicamente socialista. Como escrevi mais acima, qualquer outra forma económica de distribuição da riqueza, conduz inicialmente a um aparente socialismo (ilhas, isoladas socialistas), seguindo-se a anarquia e mais tarde, o regresso ao capitalismo; conquanto se for a nível nacional, de Estado, com envolvimento social global, arrastará outros atrás de si e terá tendências para a unificação, só possível quando o socialismo for total e, primeiro países, depois regiões, continentes até ao Planeta, e chegar ao estabelecimento do Comunismo, que será o último estádio da humanidade, mas não no Universo, porque se formos a acreditar nisso, então estaremos a negar a evolução histórica.

                    Vamos ao problema, que nega o desaparecimento, o esfumar do socialismo, como alguns dizem para negarem o mesmo, mas justifica a sua derrota. Sim, porque haver e ser derrotado é uma coisa, daí o regresso ao capitalismo, e não haver, é outra.
                              «« Enquanto o capitalismo e o socialismo existirem, não poderemos viver em paz.
                                                    No fim, um ou outro terá de triunfar
                                                    – um requiem será cantado sobre a República Soviética ou sobre o mundo capitalista.»»
                                                                                         "Lenine"

                                                                                                         A questão política na URSS socialista

                   Alicerçada nos sovietes, a política proletária de Lenine e da URSS, transitou deste, da NEP, para a colectivização de Estaline. Se considerarmos prematura esta reentrada no socialismo, poderemos facilmente,  imaginar as convulsões internas de toda a União Soviética.  Convulsões, fora e dentro do Partido, com as diversas facções em luta permanente, tanto à direita como à esquerda, onde só muito a custo, Estaline e os seus colaboradores fiéis, se conseguiam impor. Tiveram de ser usados meios coercivos extremos, que obrigaram à perda de excelentes quadros à esquerda (à direita não teve influência negativa), que deixaram o Partido e o Estado vulneráveis a uma nova táctica adoptada pela burguesia, devido à repressão violentíssima que se abateu por sobre tudo o que era anti socialismo. Táctica essa, facilitada pela necessária abertura a todos a quem interessava vencer o inimigo comum, que entretanto mostrara ao mundo e aos cépticos, que o interesse principal era acabar com o país dos sovietes: o nazismo. 
             Pouco a pouco, de mansinho, integraram-se nos sovietes, no Estado e no próprio PCUS. Estudaram e compreenderam o marxismo em todo o seu ser, alinharam com "améns" nas propostas feitas pelos marxistas do partido, e muito naturalmente, começaram a saber como seria possível anular os efeitos económicos de umas relações de produção, baseadas na propriedade social gerida pelo Estado e numa distribuição do sobre produto da produção intermédia. 
             O estudo dialéctico da mentalidade ocidental, fez essa burguesia inflitrada, sobrevivente da Revolução de 17, compreender como ninguém que aquilo que Estaline tinha feito, ao não dar dinheiro, mas bens e serviços, era o oposto e estava a criar uma nova mentalidade no país, estando a criar um Homem Novo. Sabiam esses, não traidores porque nunca foram "comunistas", mas sabotadores, que Estaline, como qualquer ser vivo, não era eterno, tal como os que o rodeavam, teria e teriam de deixar o poder, abrindo as portas a essa, sim, traição a uma nova sociedade.

             Essa traição à nova sociedade proletária, começou de imediato à morte de Estaline com o afastamento, prisão e até morte dos companheiros fieis do grande líder soviético, mas só em 1956, no XX Congresso, foi solidificada, começando aí a caminhada para a destruição daquilo que de mais bonito se fez em termos sociais até agora.
             
                                               O pós Socialismo e a queda da pátria proletária

            Sob a batuta de Nikita Kruschev, começaram as grandes "denúncias" do terror "Estalinista", donde sobressaíram os Gullag e o genocídio pela fome  na Ucrânia, de que já falei, mas agora acompanhados da questão do acordo com Hitler da divisão da Polónia, e de mais um crime de guerra, Katyn. Entretanto, com uma mão, impediam o proletariado de sair da URSS, e com a outra permitiam a intelectuais, desportistas e artistas fazê-lo, beneficiarem do mundo de ilusão ocidental, voltar e propagandear essa ilusão.
             Mantiveram as ajudas, materiais e ideológicas ao movimento comunista internacional e a todos os movimentos de libertação. Começaram a jogar mano a mano com o imperialismo nos jogos de guerra. Criaram uma comunidade económica, não imperialista, complementar, com os outros países que entretanto, saídos da Guerra, tomaram o caminho que eles próprios consideravam socialista, comunidade complementar essa, que garantia a sobrevivência de muitos sectores económicos dentro desse espaço. Mas o "melhor!?" ou pior, ainda estava para vir, ou seja, o jogo sujo da ilusão da fartura capitalista. 
             Mantendo certos serviços básicos, os novos dirigentes da traída Revolução, começaram a deixar de investir, dando os dividendos das mais-valias intermédias, directamente ao proletariado. 
             (se num país socialista tem de haver equilíbrio entre o dinheiro em circulação e os bens produzidos ou importados sem criar divida - importação contra exportação - num processo lento de crescimento, mas sustentado, num país capitalista, os bens produzidos são em número muito superior ao poder económico da população trabalhadora, a que eles chamam de concorrência. Daí, as crises por que passam os trabalhadores nos países capitalistas, ser a de verem as prateleiras cheias e os bolsos vazios, só podendo adquirir bens, por crédito)
      Então, começou a grande maratona. Tão grande que foram necessários mais de trinta anos, para que a mentalidade do Homem Novo soviético, habituado a sacrificar-se, mas consciente de que estava a crescer com os pés bem assentes no chão, começasse a ocidentalizar-se, exigindo cada vez, mais diversidade e mais qualidade no mercado de venda a retalho e noutros bens não necessários. 
             Com os bolsos cheios, e juros baixos pagos em banca, o país começou a importar bens, como automóveis de diversas marcas ocidentais, televisores, a abrir Hotéis de diversas estrelas, aquecedores  eléctricos quando existia lenha e carvão suficientes para aquecimento, etc.
             Ora, quem ia importar se o Estado estava a ficar sem dividendos? Os privados não existiam e o povo sem organização, por os sovietes terem passado a ser parlamentos figurinos políticos. As prateleiras começaram a ficar vazias, e os bolsos pesados. Os bens importados começaram a ter lista de espera, que começou a ser aproveitada pelos dirigentes e amigalhaços, abrindo portas a outro flagelo da sociedade capitalista, a corrupção.
              De corrupção em corrupção, de abertura em abertura, no final dos anos 80s, setenta e picos anos depois da Revolução proletária, caiu o maior país do mundo. Mas, a provar o Socialismo, o Real Socialismo dos tempos de Estaline, embora fosse a precariedade da sua instituição, a verdadeira responsabilidade do sucedido, ficam duas coisas: a justeza da distribuição da riqueza, em contra ponto com a injusta após o XX Congresso e, a dificuldade que a burguesia condutora do processo teve ao longo de trinta anos para a fazer ruir, para além do respeito que a Revolução granjeou por todo o mundo, e que ainda hoje marca a posição do neo capitalismo instalado na Rússia.
               

               Uma nota final sobre a precariedade da colectivização. 
               A Nova Política Económica de Lenine, embora justa e necessária, estava a conduzir o país para uma situação de emergência, que a burguesia sob a vigia do proletariado, estava por um lado a sabotar, e por outro, o próprio proletariado com sovietes e partido altamente divididos, estavam a ser incapazes de conduzir (algo que hoje seria mais fácil aos marxistas, devido à experiência acumulada no mundo capitalista mais atrasado)Portanto, Estaline e seus companheiros, tiveram de tomar uma opção, e essa, foi a considerada melhor. 

                        
               PS) A principal fonte de pesquisa, foram os trabalhos deTatiana Khabarova, obras de Lenine e Estaline, A História da URSS, obras de Karl Marx e fontes estatisticas russas, para além de textos já publicados por autores anónimos ou quase, na imprensa e nas redes sociais.

                         

                         

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por docarlos.blogs.sapo.pt às 09:40

Sexta-feira, 17.02.17

PROLETARIOS DE TODOS OS PAÍSES, UNI-VOS.

                        Uma palavra de ordem tão antiga como Marx, que continua actual, mas.....


                        Será que tem o mesmo sentido de então?

                        Já abordei este assunto diversas vezes não só no blogue, como no Facebook, mas parece que continua mal compreendido, tanto à esquerda como à direita, embora a opinão desta, não me incomode. O problema, está na interpretação após a análise,  que a esquerda marxista faz desta questão.

                        O que é o proletariado, a pequena burguesia e a grande burguesia?

                        Como definição posta por Marx, o proletariado é toda a faixa de trabalhadores que não fazem nem têm outra coisa, do que força de trabalho, manual ou intelectual para vender aos detentores dos meios de produção,  a burguesia. Por sua vez, esta divide-se entre grande e pequena, conforme o volume de capital de que se vai apropriando. O proletariado,  será composto pelos produtores, a classe operária,  e os que complementam toda a gama de serviços da sociedade, quer acrescentando valor, transportadores, quer somente servindo, fazendo-se pagar pelas mais valias dos produtores.
                        Até aqui, tudo bem, conforme os ensinamentos dos grandes mestres da filosofia marxista. O problema, começa naquilo que a sociedade capitalista nos países desenvolvidos se tornou, com uma pequena burguesia a desaparecer, engolida pelo Capital monopolista e financeiro, por vezes com grandes dificuldades económicas, mas que tem a mentalidade de "rico", e, por sua vez, um proletariado, quer na esfera operária com uma especialização que chega ao mestrado, quer e, principalmente, na área dos serviços e intelectual, que tem rendimentos muito acima da média e várias vezes superior ao da chamada pequena burguesia, a tal ponto, que é esta casta bem paga, a que se apelida de média burguesia ou classe média.
                         Assim, com esta nova definição da  correlação de forças em presença na sociedade, também o conceito de caminho para a Revolução Socialista, essa, inalterável num devir, terá de ser redefinida, numa nova base material e ideológica, onde a Classe Operária, tem de ser muito mais consciencializada e instruída na questão filosófica marxista, e terá de continuar a ser a locomotiva do resto do proletariado. 
                         Não se tratam de novas alianças, entre proletariado e pequena burguesia, mas entre todo o proletariado com uma Classe Operária diferente, minoritária, mais instruída, a quem não pode ser negado o modo de vida por eles conquistado, solidária para com o restante proletariado mais carenciado, que no entanto, também ele, tem um tipo de vivência acima da média e das suas possibilidades.
                         O mundo capitalista, conquistou progressos, que os autores do Manifesto, só previam para o Comunismo. Os meios de produção, estão de tal maneira desenvolvidos, que ao Homem bastaria trabalhar metade do tempo. O crédito sem dinheiro palpável, veio dar outro estar às pessoas, em que se embrulham de maneira irreparável,a que urge pôr termo rapidamente: como?, eis a questão, pois como afirmei atrás, não se pode retirar aquilo que as pessoas já conseguiram, seja com excelentes salários, seja com o crédito forçado.
                          A anulação das dividas soberanas e privadas até determinados montantes, numa primeira fase, seja, que já estejam pagas com os juros especulativos será uma solução, acompanhada da total proibição de crédito com emissão de moeda fictícia. Obrigar a venda de produtos produzidos nos países de mão de obra barata, por preços reais do custo do trabalho incorporado, já depois de uma melhoria substancial do salários nesses países (uma TV produzida na Tailândia, é vendida na Alemanha como se lá fosse fabricada, ou seja, ao custo da mão de obra alemã), dando um balúrdio de lucro ao Capital. Tem de ficar ao encargo do proletariado dos países desenvolvidos, o ataque e desmantelamento das sedes das multinacionais, com tomada do poder sobre elas, para que o operariado dos países produtores, continue a ter trabalho. Enfim, uma série de pequenas grandes coisas, que têm de ser feitas por um proletariado muitas vezes mais bem instalado na vida, do que os operários produtores e até, do que muitos governantes e PMEs de alguns países.
                          E eis a questão fulcral!! Como conseguir o poder, para levar a efeito todas as necessidades?
                          Hoje, e tacticamente muito bem feito pela burguesia governante, nos países desenvolvidos  já não existem, ou quase não existem, Forças Armadas de serviço obrigatório, algo em que a Esquerda embarcou e com que nunca concordei, pois torna mais difícil a penetração revolucionária no meio, estando estas transformadas em autênticos "bandos" de mercenários, com os quais não se pode contar para revoluções ou golpes de estado, o que obriga a tácticas completamente diferentes, que têm de ser politicamente realizáveis, antes de qualquer tipo de luta armada; uma política de conquista política, sem se cair no parlamentarismo, pois por aí nunca lá chegaremos pela eiscacês de meios de propaganda e de luta desigual contra os meios repressivos e ideológicos.
                          Cabe portanto aos Partidos marxistas, desenvolver essa luta de gigantes, contra um inimigo comum, mas individualizado dentro de cada fronteira, estudando e desenvolvendo lutas conforme o desenvolvimento económico e cultural de cada povo. Todos podemos e devemos, dar o contributo necessário, à medida do nosso intelecto, capacidade material e possibilidade de participação. O capitalismo está no seu auge e, ainda longe nalguns sitios, do seu desmoronamento: temos de lhew dar o empurrão final, quer na subida onde ainda estiver em escalada, quer no cimo, para o precipitar no abismo da História, para dar lugar a outra sociedade mais justa.
                          Proletários de todos os países, uni-vos! Os mesmos interesses na diferença!

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por docarlos.blogs.sapo.pt às 14:14

Segunda-feira, 23.01.17

CAPITALISMO'S

                      O capitalismo é um estádio da sociedade, cujas raízes estão no desenvolvimento das forças produtivas e consequentes relações económicas. O capitalismo veio da Idade Média e levou muitas centenas de anos até imergir, como sociedade controladora da humanidade. O capitalismo, sobrevive da exploração do trabalho produtivo de milhões de pessoas em todo o Mundo. O capitalismo, é o resultado do consumo e pagamento do mesmo, que não é pago aos verdadeiros produtores: os operários, camponeses e transportadores, os únicos que acrescentam valor a todos os produtos; sendo essa falta de pagamento, justificado após o salário necessário à sobrevivência e reprodução dos trabalhadores, com o lucro, a compensação do capital, pelo investimento.
                      Não há outro capitalismo!
                      Então, porque se fala em capitalismo de Estado?
                      Porque em todas as sociedades, há os que produzem e os que complementam o trabalho até ao consumo, e esses, têm de comer, vestir, terem o seu lazer, a sua família, a sua casa. Isto, quer dizer que, seja qual for o sistema económico, alguém tem de produzir mais do que recebe, afim de sustentar a sociedade no seu conjunto.
                      Então, onde está o problema? Que podem propor todos os que estão contra o chamado capitalismo  de estado?
                      É que, a sociedade de classes economicamente divididas, só acabará no comunismo, onde no entanto, continuarão as diversas classes profissionais, embora mais abrangentes, pois o Homem terá conhecimentos para exercer diversas. Portanto, e até lá, enquanto se constrói essa sociedade sem classes ou de classe única auto regulada, no socialismo portanto, algo se tem de manter: uns a produzirem os bens que todos têm de consumir, sendo o problema a ter de ser resolvido, na questão da distribuição.
                     Quem vai fazer o papel empresarial e, simultaneamente, distribuir justamente a riqueza produzida? Cooperativas? Trabalhadores por conta própria? Como se governa toda essa gente? É que corre-se o risco, de ao deixar o mercado livre, criar-se uma nova classe capitalista, onde a justiça só existirá dentro de cada empresa, mas inter empresas e profissões, haver um desnível injusto e grande.
                     Ao fazer a Revolução, ao tomar o poder, o proletariado tem antes de tudo, de se apoderar do Estado e a tudo o que faz parte da super estrutura capitalista (o Capital, serve-se do Estado que por si foi organizado, para reprimir e, controlar a economia). Ao tomar o poder, o proletariado, tem de se apropriar do Estado e transforma-lo numa nova organização supra estrutural, afim de fazer o mesmo que o Capital, mas redistribuindo a riqueza por todos, produtores e não produtores.

                    É este tipo de Estado, a que os inimigos do marxismo, chamam de capitalismo de estado, quando não o é (seria, ou será, se no Estado se instalar uma casta dirigente, bem remunerada, corrupta, que viva do sobre produto, ou mais valia produzida pelos operários, tal como os capitalistas privados vivem no capitalismo. Como exemplo, temos as últimas décadas do socialismo na União Soviética,  e que levou à sua queda).

                   O capitalismo de estado, é aquele que se vive agora em capitalismo. É aquele Estado, composto aos interesses da burguesia, que controla todo o comércio, finanças,  forças de repressão, forças militares, etc., para garantir com o mínimo de sobressaltos, os fabulosos lucros provenientes da venda dos produtos não pagos aos produtores.

                   Aquilo que alguns clamam de necessário em oposição ao que chamam de capitalismo de estado, não seria mais do que os anarquistas pretendem. Ora isso, levaria à completa desorganização social e correspondente auto aniquilação da humanidade. Nem o Capital, com toda a sua economia liberal,  se atreve a fazer, aliás,  cada vez ele mais se organiza e vive em volta do Estado.

                  Portanto, acabar, desmantelar, o Estado capitalista, é uma prioridade na Revolução,  mas também reorganizar de novo segundo os interesses do proletariado, é uma prioridade revolucionária.
                  Capitalismo, só há um e, o Estado, nunca será capitalista fora do capitalismo, nos termos e interpretação que o marxismo lhe tem de dar.

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por docarlos.blogs.sapo.pt às 11:04

Quinta-feira, 05.01.17

O"s" ATAQUES

                 Quando algo começa a correr bem, ou pelo menos, mais ou menos bem para o lado dos trabalhadores, começam a registar-se os habituais ataques da burguesia a tudo o que cheire a socialismo, a comunismo, a democracia popular. 
                 Em Portugal, desde os idos anos de 74/75, que isto acontece, não só por parte da declarada burguesia em si, como também dos seus auxiliares de "esquerda?". A vitima preferencial, é Estaline, e tudo o que se terá passado na União Soviética desse tempo. Critica-se Estaline e, critica-se o desastre consequencial daí advindo. Curiosamente, ninguém ou muito poucos, se atrevem a criticar Lenine, ou mesmo o golpe de rins económico após o XX Congresso, passando nos mais mal formados, as acusações directamente para Marx.
                 Porquê?
                 Porque foi Estaline, que iniciou a colectivização da economia, retirando tudo o que havia nas mãos da burguesia.
                 Foi brutal, toda a consequência desse golpe económico. Lenine, que começou em Outubro, tinha recuado, deixando um quadro económico relacional misto, algo que deixou o Partido muito critico, e que caiu bem no seio da burguesia russa e seus aliados na Europa e na América; Lenine, de uma inteligência superior, tê-lo-a feito, porque sabia ser impossível a sobrevivência de um Estado atrasado, sozinho, no seio da mais que reaccionária Europa e restante economia mundial e, sobretudo, porque compreendeu que as leis do mercado a funcionar, seriam um estimulo. Após a sua morte, Estaline que assumiu o comando, rodeando-se de gente que pensava como ele, entendeu dar inicio a uma revolução socialista. Foi essa colectivização, que levou a União Soviética a líder dos povos explorados no mundo e a segunda potência. 
                 Será então, que Estaline não passou de um oportunista, com sede de poder, exercendo-o de maneira déspota, ou simplesmente, devido a precoce oportunidade, foi obrigado a exercer uma ditadura a ferro e fogo?
                 É esse debate que tem de ser feito, e não a critica ao desenvolvimento soviético. Ele, o debate, tem de ser feito antes demais, dentro das forças marxistas afim de se apurar se a passagem abrupta foi ou não dentro da filosofia marxista, porque o que se seguiu em termos de desenvolvimento, foi correcto: Estaline e o PCUS, descobriram que era na produção intermédia que estava a correcta maneira de distribuição da riqueza: a isto, chama-se Leninismo, ou prática da filosofia marxista. 
                 Fazer o debate marxista, fora, nas redes sociais, é trazer para o debate as forças que não querem o socialismo. É debater a ditadura, as mortes?!!, os campos de concentração, as alianças com o nazismo, etc...., e não debater o que seria necessário: o pão mais barato, os transportes quase gratuitos, a saúde gratuita, a educação gratuita, a elevada cultura, o Exercito Vermelho Libertador da Europa, os feitos desportivos, etc....., do Povo Soviético.

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