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docarlos



Domingo, 01.03.15

REVOLUÇÃO JÁ, OU TALVEZ NÃO.

                    A pergunta que qualquer revolucionário deve fazer, neste momento de dominio do Capital financeiro, de liberalismo económico, fasciszante nalguns pontos mais problemáticos do globo, é se faz sentido falar de Revolução Socialista, de construção do Comunismo, de cariz nacional?..., a minha resposta é, não. Seja que país for que inserte esse caminho, sofrerá o que Cuba sofre. É utópico pensar, numas relações de produção, correspondentes à forma massiva de produção dentro de fronteiras.
                   Embora com uma produção capitalista global, a burguesia, continua fechada nos seus mercados nacionais, seja directamente, seja através de importações e controlo nacional do comércio. Com ela, mantém todo um povo, que dela depende para lhe pagar a força de trabalho alienada, ou seja, é dentro de fronteiras, que os trabalhadores vendem uma força de trabalho que no entanto se entrelaça globalmente. Dividir para reinar!

                   Isto vem a propósito, da discussão que começa a ser profunda, entre todos os que se identificam com a esquerda, inclusive e nomeadamente, muitos militantes comunistas, sobre o enquadramento e o aval, a dar a movimentos como o SYRIZA, o Podemos ou a Front de Gauche.
                   Será legitimo a um marxista, acompanhar e insentivar estes movimentos? Ou antes, pelo contrário, à que denunciar o cariz burguês das suas direcções e politicas pró capitalistas por si defendidas e combatê-las pondo-as no mesmo lado da barricada do capital que neste momento depena os povos?
                   Estarão neste caso concreto, os PCs (marxistas) europeus em condições de promover uma revolução? Será que com uma agricultura mecanizada e uma classe operária quase inesistente, por a produção ter sido deslocada para o Oriente, os comunistas serão capazes de, sózinhos, com um rancho de milhões de desempregados e jovens despolitizados atrás, levar os povos para uma marcha triunfante até ao poder? Ou serão realmente preciso movimentos politicos da classe média, que possam atrair as pessoas para uma revolução de caracter popular, de economia mista, em que o Estado, capitalista, controlado pela pequena burguesia, possa desenvolver os paises atrasados, até ao ponto da, então, Revolução Socialista? Lembro que a burguesia nos anos 50, 60, 70 e ainda em 80s do século passado, conseguiu progredir e ter em simultâneo um Estado, dito social, que cuidava dos seus cidadãos minimamente.
                   
                   A politica defendida para a CDU pelo PCP, em Portugal, é a correcta. Em Portugal, não existe um Podemos ou um SYRIZA, nem haverá nos tempos mais próximos, porque nem o BE e os outros gémeos, têm esse carisma, nem o nosso povo a cultura revolucionária necessária. A politica defendida pelos comunistas para a CDU, é uma politica de independência económica, patriota (nacional), mas não uma politica de revolução socialista, mas SEMPRE, com ela no horizonte. Mas Portugal, não teve uma guerra civil com os revolucionários derrotados, nem viu o país ser invadido pelos nazis. Portanto, não nos podemos comparar à Espanha ou à Grécia, nem o papel dos comunistas, deve ser criticar o que se passa nesses paises.
                   Dizem: então, porque os Comunistas gregos, criticam o SYRIZA? 
                   E eu digo: será que o KKE está a ver as coisas correctamente? Num país tão sofredor, os comunistas tiveram metade da precentagem, e até dos votos, do PCP, num país tão conservador como o nosso; o que quer isso dizer? 
                   Claro, que também sou da opinião, que os gregos deveriam sair do Euro e da UE. Mas não só eles, nós e todos os paises do Sul mais a Irlanda, ou em contrapartida: acabar o Euro, desvaloriza-lo, ou unificar a Europa, politica, economica e socialmente. Mas como poderá isso se fazer, se os comunistas não têm poder de sedução, principalmente, depois da derrocada socialista do Leste? 
                    Bem, lá, existem esses partidos ou coligações, tipo SYRIZA, de pequena e médias burguesias; cá, reforçando a votação na CDU, para obrigar outras formações com votações de trabalhadores (BE, PS, Livres, etc), a alianças tacticas, para levar o país ao rumo certo. Resumindo, objéctivos identicos, com pessoas diferentes que terão de contornar as dificuldades que serão muitas. Ao PCP, não interessa o poder pelo poder: o que interessa, é a politica que nele se faz.
                    Aos gregos, poderá suceder duas coisas: ou serão engolidos pelo capital internacional, se não tiverem forças devido à sua composição social, para sair da "prisão" em que se encontram, ou então daqui a quatro meses, serão obrigados a admitir a saida do Euro e da UE, e aí então, também duas coisas podem acontecer: ou a Europa cede, ou o Euro desaparece, porque a saida de um, basta para desencadear o fim da Alemanha como potência económica.
                   

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por docarlos.blogs.sapo.pt às 23:39



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