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docarlos



Domingo, 08.11.15

OS SENTIMENTOS NA DIALÉCTICA

                   Um dos maiores mistérios nos seres vivos, será encaixar no materialismo dialéctico, os sentimentos: amor, ódio, prespéctiva de beleza ou repulsa por pessoas e bens materiais, a amizade e camaradagem, a adoração ou idolatria, etc.
                   Como será possivel que determinado individuo seja amado por uns e odiado por outros? Será que ele tem dupla personalidade, ou são os que revelam sentimentos que são bons e maus?
                   Será o amor, o sentimento mais nobre, pura atracção fisica? Nesse caso, onde se encaixa o amor filial, paternal ou fraternal? Neste caso especifico, ficava resolvida a questão da pedófilia.....

                   Os sentimentos, têm de ser forçosamente, o reflexo de todo o conjunto de sensações emanado pelo que nos rodeia, numa relatividade especifica. Possivelmente, uma pessoa por quem nos apaixonamos e amamos em Portugal, nunca o seria na India, Nova Zelândia ou mesmo aqui ao lado em Espanha. A cultura, o ambiente de vivência, os meios produtivos, e tudo o mais à volta, teriam um efeito diferente no pensamento e, em consequência, no possivel relacionamento. A dialéctica nos ensina, que para cada situação, há sempre dois contrários em luta. Portanto, amor e ódio, têm de estar sempre presentes no pensamento, nos sentimentos: é a unidade dos contrários. Nos unimos ou separamos, conforme a victória de um ou de outro. Falamos da ligação entre dois seres não ligados familiarmente; para esses, há um outro factor, material, que contribui para a ligação emocional: os genes, os laços de ADN. O sentido de protecção aos filhos, não é mais do que a manifestação da necessidade objectiva da prepectuação da espécie, assim como o contrário, a necessária cobertura à fragilidade enquanto crias de tenra idade. Entre irmãos, a necessidade de sobrevivência em sociedade, necessidade essa, que mais tarde se estende aos colegas de escola, de trabalho ou na velhice aos seus iguais.

                    Portanto, sentimentos, não são mais do que uma das muitas manifestações dialécticas do pensamento, que reflectem as sensações que nos são enviadas do exterior, quer da natureza, quer dos outros. A expressão tantas vezes usada entre casais, és a mulher ou homem, da minha vida, está apenas correcta, para determinado momento histórico da vida dessas pessoas. O ditado popular "longe da vista, longe do coração", reflecte exactamente a dependência da relação entre uma dada situação na vida, e outra completamente diferente. Um militar em campanha ou um emigrante, estão muito mais vulneráveis à troca de amor, do que os que continuam numa situação fisica estavel. Dentro de portas, em família, um casal que se ama, tem diariamente problemas de relacionamento, numa clara manifestação dialėctica dos sentimentos, sendo a ausência desses, uma clara falta de amor, mostrando uma profunda dependência de um, em relação ao outro, provocando uma situação de conservadorismo social, como o que imperou na Idade Média e na primeira metade do século XX. A ausência de conflito, é a negação do materialismo dialéctico e portanto, da verdade objectiva, do avanço civilizacional. Nós apaixonamo-nos pelo exterior, mas quando amamos, é o caracter do outro, não sendo por acaso, que a companheira/o, é muitas vezes inferior, fisicamente, à/ao amante. Um casal, tem de ser complementar e não "igual": é a força da natureza a fazer valer o seu movimento dialéctico. A doutrina surgida com o culto de Cristo, é a negação do movimento histórico. O perdão, a bondade sem oposição, é a negação da dialéctica, apesar das religiões, terem de ter sempre uma oposição, Deus e Satanás; um, justifica o outro, mas depois transportadas para os crentes, é a negação da realidade, abrindo portas aos desmandos dos mais espertos, dos exploradores. É necessário portanto, ter sempre presente, que o amor, o ódio, a apreciação dos outros, dos objectos, é algo de concreto, não estando os sentimentos, acima ou aparte do mundo que nos rodeia. Eles são derivados do pensamento, que é a expressão máxima como ideia, das sensações que nos chegam do exterior de nós.

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por docarlos.blogs.sapo.pt às 20:08


1 comentário

De uniondes peuples a 08.11.2015 às 22:13

Bastante correcto, sob o ponto de vista da Filosofia Marxista. Todavia o hiato persiste, porque falta dar os sensos biologicos e humanos dos sentimentos.
O sentimento ( qualquer que seja ) é sempre o contrario da espectrografia racional -- embora possa resultar dum dos seus erros analiticos. ( voir o estudo hegeliano, aprofundado por Marx, no Texto N°23 de << PRELUDIO-A-KARL-MARX >> -- de 09 e 10/11/2015 ).
Um outro exemplo: a Musica. Todas as sociedades, de quase todas as épocas, têm-se servido da musica, tanto para dar como para receber sensações -- porque a Musica é um subjetivo da Natureza. Logo, o Homem, contrariamente ao reino animal, serve-se da musica enquanto transmissor de sentimentos -- e, regra geral, sobretudo apos a vitoria belica anglo-americana de 1945, o desenvolvimento tecnologico favoreceu a enorme alienação das ultimas gerações, substituindo o raciocineo aprofundado pelas musiquetas.
As melhores saudações revolucionarias.

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