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docarlos



Sábado, 04.04.15

LIMPANDO O NEO-OPORTUNISMO OU, COMO A CLASSE OPERÁRIA NÃO ESTÁ A DESAPARECER

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                        A Classe Operária transformou-se e deslocou-se, mas não desapareceu nem está a desaparecer.

                       Nos países ocidentais, depois da explosão industrial do pós-guerra, esta classe, produtora de mais-valia (industrial, agrícola e pescas, e transportadora, só e apenas (comércio, serviços públicos privados e estatais e outros indiferenciados, vendedores de força de trabalho, proletarizados mas não produtores, não são produtores de mais-valia), transformou-se em alta especialização, ganhando estatuto social, passando a integrar um grupo de classe média-baixa, culturalmente  dominada pela ideologia burguesa. Por sua vez, o seu número foi-se reduzindo até ao limite do possível, e continua a diminuir, devido à introdução de novas tecnologias, sendo atirada para o desemprego e para outras colocações, que não produtivas.
                       Por sua vez, a questão reprodutora do operário, onde o filho substituía o pai, continuando carne-para-canhão do capitalista, é hoje sempre a um nível superior (o avô operário, tem filho técnico e por sua vez, neto doutor), a mesma carne-para-canhão, mas como especializado na produção dos meios de produção, como desenhador ou eng. informático, como financeiro ou politico. Seja, o proletário de hoje, no ocidente, é algo que já está entre o operário produtor em si, e o patrão capitalista, fazendo parte da engrenagem que o tritura e ao verdadeiro operário.
                       Então, onde está a Classe Operária, que os esquerdistas críticos do revisionismo, elevam aos céus da vanguarda revolucionária? Deslocou-se.
                       O computador, equivalente à máquina a vapor do século XIX que serviu de estudo a Marx, não mais é fabricado em massa e seccionalmente na Europa ou na América do Norte: é fabricado algures na Ásia, Índia, Norte de África ou América Latina, onde o preço do trabalho, está a níveis da 1ª metade do século XX; e só ocasionalmente, em alguns países do Sul da Europa. É aí, que está a verdadeira massa de operários, a Classe Operária de vanguarda, cujo Partido Comunista, marxista, tem de agarrar para fazer valer a revolução socialista.
                       Em Portugal, embora com alguns núcleos ainda bastante activos: região do Vale do Ave, S. João da Madeira ou o caso mais flagrante da Autoeuropa, a Classe Operária, a tal simbolo dos esquerdistas, vanguardista e pilar de um Partido Comunista, não existe mais. Portugal, tornou-se, e cada vez mais, num país de serviços de onde sobressai a restauração e hotelaria, ou seja, um paraíso turistico para capitalista ou operariado classista do Norte da Europa. As poucas grandes unidades fabris existentes, são multinacionais (um parêntesis para a Autoeuropa, que é o símbolo daquilo que não deveria existir em nenhum país. Detem a produção de cerca de 3% do PIB, mas por cá só ficam os salários e mais 2 000 postos de trabalho dependentes quase a 100 %, ou seja, em caso de fecho, o que acontecerá quando em Singapura, Marrocos ou Litiuania fizerem carros mais baratos, arrastará a miséria a 5 000 famílias, o que em média dará 15 000 pessoas. A agravar a situação, os impostos pagos por esta fábrica, são menores do que para empresários portugueses, por beneficiarem de incentivos fiscais. Também os carros, são exportados quase na totalidade, não servindo os portugueses).
                      Pergunto agora aqueles que atacam o PCP, tratando este partido de revisionista, de se acomodar ao aburguesamento da sociedade, o que se pode fazer, em termos marxistas, de materialismo histórico, com uma Classe Operária quase inesistente em termos quantitativos?
                      Pergunto a estes esquerdistas, que têm a mania de serem marxistas, se é o PCP que é oportunista por acomodação à situação, ou se são eles que sim, serão ou não os oportunistas (neo-oportunistas), que aproveitando-se do marxismo, sem leninismo, ou seja, dos clássicos marxistas de frases feitas, para fazer cair em descredito o Partido.
                      Pergunto a estes neo-oportunistas, que chegam a cúmulo de afirmar que «não é por existirem classes, que há luta de classes» (https://falaferreira.files.wordpress.com/2015/03/oportunismo-e-situacao-concreta1.pdf), como se poderá fazer a Revolução Socialista, sem Classe Operária em número suficiente, não em soma de individuos, mas sim em quantidade de mais-valia produzida, ou seja, uma Classe Operária que domine e influencie a economia nacional.
                      Não. Sem produtores, que criem mais-valia em quantidade suficiente para manter a independência nacional, não se pode fazer a Revolução Socialista. Esta, não se faz com empregados bancários, funcionários públicos, vendedores de balcão, trabalhadores de Call Centre, trabalhadores de limpezas, etc. Esses, não acrestam mais valia. Com esses, um país não vive. Eles apenas ajudam a viver, embora com serviços muito importantes.
                      A Revolução Socialista, pode ser feita sim, mas nos países onde a Classe Operária é na realidade dominante. Em todos os países da Europa, antiga capitalista, esta é impossivel para já. Tem de ser por outro caminho: pelo de uma revolução democratica popular, onde o povo tome o controlo da economia e do poder, mas que seja numa grande aliança tactica entre todos os que detêm a economia, ou seja, os trabalhadores proletarizados, os PMEs (que têm ao seu serviço a maior força operária do país), os FPs, enfim, aqueles que ainda vão mexendo e sustentam o país.
                      O PCP não está acomodado ao sistema. O PCP, está integrado no sistema, mas com objectivos bem definidos: o Socialismo e o Comunismo. O PCP, quer uma democracia avançada, onde o povo, todo, sem sectarismos, controle a economia e o sistema político, preparando a Revolução que colocará a economia ao serviço dos produtores.
                      O capitalismo, chegado a certo ponto do seu desenvolvimento, coloca o Estado ao seu serviço. Transforma o capitalismo privado, liberal, sem controlo, em capitalismo de Estado, mas ao seu serviço, como regulador dos mercados, beneficiando sempre quem tem mais. A mais-valia criada pelos trabalhadores, serve para enriquecimento dos capitalistas e, também , para sustentar a máquina estatal, que ao cuidar dos lucros do Capital, vai ao mesmo tempo oprimir os trabalhadores e provocar o aumento do valor dessa mais-valia.
                      Quando o sistema saturar (o neo-liberalismo actual, não passa de um passo atrás no sistema capitalista, para evitar a queda do Estado e do sistema), os trabalhadores assumirão o poder no Estado e na economia, e o capitalismo de Estado, será transformado, deixando de sustentar o Capital com a mais-valia, para utilizar esta, no bem social, ou seja, devolvendo primeiramente em bens, aquilo que não é pago directamente, seguindo depois numa fase mais avançada, a devolução em salário (se fosse a dar em salário logo no inicio, seria impossivel fazer corresponder a produção às relações de produção, ou mais concretamente, a procura com a oferta, entrando em ruptura. Esta questão, é uma das mais importantes no socialismo, e está na base de muitos desentendimentos no pós colectivização na URSS, opondo os chamados stalinistas aos revisionistas, e servindo de base ao esquerdismo e agora ao que chamo de neo-oportunismo, proveniente do esquerdismo. Ao transformar precocemente os Fundos de Consumo em salários melhorados, os revisionistas criaram uma contradição fatal: dinheiro nos bolsos do povo e prateleiras vazias nos supermercados.
                       Ora, como a economia é global, estes neo-oportuniostas, consideram a Revolução Global, mas esquecem diversos factores de primeirissima importancia:
                       Se existe uma economia capitalista global, não existe um país global. Não existe uma moeda global (na UE há uma moeda, mas não há, industria massiva, seja, Classe Operária). Não existem partidos na totalidade dos países. Não existe uma internacional comunista, que coordene um movimento global da CO. Há países, onde cuja mentalidade dominante, ainda é a medieval ou pouco mais. O avanço económico de alguns países, é de tal maneira superior a outros, que há fome e doenças próprias de há séculos atrás. Enfim, factores que impossibilitam na prática, a revolução Socialista. 
                       Vivemos num mundo, dividido em países e até nações, que o poder medieval e burguês nos impuseram, portanto, o mundo no seu conjunto, necessita ainda dos três tipos de revolução: burguesa, democratica popular e socialista.
                       O link apresentado acima, portador de um documento pretensamente de análise marxista, é bastante revelador deste neo-pensamento, atrofiador de ideias dialécticas, e que pretendem no fundo, levar as massas ao engano e prolongar no tempo o poder da burguesia.
                       Na impossibilidade de rebater a teoria marxista, por ser a análise correcta, dialéctica, das sociedades, utiliza-se a própria teoria de forma mutante, quando ela serve apenas, para acompanhar, demonstrar e auxiliar correctamente o desenvolvimento social, esse sim, em movimento transformista constante.

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por docarlos.blogs.sapo.pt às 23:43


1 comentário

De José Ferreira a 06.04.2015 às 21:00

A resposta merecida a este texto não cabe como comentário. Pode ser encontrada aqui: http://wp.me/pTlMx-24J.

Abraço

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