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docarlos



Segunda-feira, 11.05.15

IMPERIALISMO, UMA QUESTÃO IDEOLÓGICA

              Constatam-se actualmente, duas situações aparentemente antagónicas. Uma, a de que a economia, a produção de bens e os mercados de troca para consumo, é global e, a recolha dos ganhos, embora privada, é igualmente global; a outra, de que se mantém a existência de países independentes, dando assim um caracter de divisão das sociedades, com diferentes graus de desenvolvimento, políticos e culturais, embora neste caso, as diversas culturas trespassem o espaço politico, criando grandes nações, por vezes com povos rivais, obedecendo à lógica politica.

              Esta divisão administrativa, que não foi criada pela burguesia, mas por esta mantida, já vem nalguns casos, de alguns milhares de anos; a maioria, da idade média; bastantes, mais recentes, com a independência de territórios colonizados a meio do anterior milénio. Divisões, que nunca tiveram grande estabilidade fronteiriça, mas que mantiveram e mantêm, o esqueleto original da antiguidade e principalmente da idade medieva.

              A questão imperialista, que já vem igualmente da antiguidade, teve grande preponderância com a conquista territorial com a finalidade principal, do saque de riquezas naturais e de escravos. Para isso, as potências colonizadoras utilizavam dois meios principais: as armas e a culturalização das populações autóctones. Este tipo de imperialismo, salientava-se pela característica da ocupação militar e política, fazendo valer os seus “direitos” pela força, pela cultura, integrando os territórios na sua área de administração, fazendo-os integrar as suas comunidades metropolitanas. Imperialismo, que prevaleceu quase incólume até meados do século passado, embora desde o início do século, começasse a aparecer outro tipo de imperialismo, não ocupante militar, mas impondo a sua vontade pelo poder económico, por vezes militarmente, quer utilizando mão-de-obra local, quer obrigando os países subjugados ao consumo dos seus produtos. É este imperialismo, que após queda do colonialismo, se impôs e impõe na actualidade.

               E é aqui, que começam as más interpretações sobre o imperialismo, porque polémica, infelizmente não há.               

               A forma mais conhecida actualmente de Imperialismo, é o chamado de Financeiro. Imperialismo mantido pela dominação dos grandes Bancos internacionais, através das suas organizações próprias, como o FMI, o mais conhecido, o BCE e outros, e também pelos próprios Bancos de renome mundial. A alta finança, detentora de múltiplas instituições, desde seguros e agências de crédito e de notação e ainda às Bolsas, autênticos casinos onde se joga o dinheiro, controla ainda através dos seus homens-de-mão e de acções, todos os bancos Centrais e governos do mundo capitalista.               
               Todas estas instituições financeiras, servem actualmente, para fazer rolar dinheiro virtual no sentido interior » exterior e receber na volta, no sentido exterior » interior, dinheiro real: dissequemos.

               A Banca privada existe há séculos, mas a partir do momento em que os industriais acumularam Capital, ela deixou de ser controlada pelos banqueiros tradicionais (indivíduos que recebiam dinheiro a guardar e emprestavam os depósitos, mediante o pagamento de juros, tanto aos depositantes, como de quem emprestavam, sendo os seus lucros provenientes do diferencial de juros, entre depósitos e créditos), para passarem a ser sociedades por acções, onde o Capital se meteu como grande proprietário do sistema, juntando assim à mais-valia dos seus proletários, todo o juro proveniente do sistema bancário. Tendo todo o tipo de capitalistas, dos diversos ramos produtivos e do comércio, começado a utilizar o sistema de uma maneira diferente da até então utilizada.                 
               Como o sistema capitalista, sobrevive da competição entre si, onde produzir mais, corresponde a uma baixa relativa de salários, provocando um sobre produto, que não é pago, e que pode ser utilizado para colocar os produtos mais baratos no mercado, findo algum tempo, periodicamente, estala em crise de sobreprodução, que leva ao fecho das unidades de produção que até ali geraram a falência dos concorrentes, e destruição dos stocks. Assim, parte da solução do in solucionável, consiste no crédito ao consumo, levando muitos produtos às mãos de quem até então não tinha poder de compra para os mesmos.                  Mas esta acção financeira, deixa de corresponder às transacções tradicionais bancárias, porque exige emissão de moeda, que, por sua vez provoca inflação. Então, começa aqui o surgimento da nova fórmula da cedência de crédito, seja, dá-se crédito por antecipação, crédito virtual. Este, não mais pode parar, porque o dinheiro que “virtualmente” está em divida, deve apenas ser liquidado com os juros e prestações de abatimento, e estes, têm que provir do trabalho.                 
                Seja, o Capital, que nas suas indústrias, agricultura ou transportes, fica com o sobre produto que não paga aos seus trabalhadores, ainda lhes vai buscar parte significativa dos rendimentos, no pagamento dos créditos. Para além disso, o conjunto de cidadãos: capitalistas, pequenos empresários e proletários, ainda pagam os Impostos para manter as superestruturas que funcionam em favor do Capital.                 
                Neste sistema de crédito, há que juntar outros, que por serem cartelizados, acaba por prejudicar toda a sociedade, com maior incidência, na de rendimentos mais baixos, através dos impostos e baixa real ou relativa, de salários. O mais flagrante, e que tem estado por detrás das últimas crises económicas, é o do crédito á habitação (uma casa, cujo preço de uso seja de 100 000 €, é avaliada por cartelização entre banco, imobiliária e empresa de construção, em 200 000 €, que com crédito de 100%, pagável em 30 anos a 5% de juro, corresponde a um preço aproximado de 400 000 €, seja, 4 vezes mais do que o preço de uso), que gera nos meios mais fracos (a construção para arrendamento, praticamente é inexistente, com o fim de provocar a necessidade de compra e de amarramento das famílias proletárias a um sitio único), a falência individual, por incompatibilidade dos salários com as despesas (prestação, condomínios, água, energia, deslocações casa/trabalho, seguros, etc.) inerentes á compra de habitação própria.                   
                  É este crédito, conjuntamente a outros de consumismo, que eles chamam de mal parado, que é dividido e embrulhado em outros rentáveis, que servem de garantias a empréstimos, também virtuais, a Estados de países mais fracos economicamente (a famosa Bolha Imobiliária, que cresce, cresce e rebenta). Seja, os Estados, vão pagar aquilo que os privados não conseguem liquidar, através dos impostos (EU e TU, vamos pagar aos bancos do Capital, aquilo que ELE, não tem capacidade de pagar). Resumindo, os bancos nunca perdem, a não ser que também os Estados se recusem a pagar ou não possam pagar, ou se por uma questão de concorrência, as outras instituições bancarias, lhes tirem o tapete, ou ainda, o que é mais vulgar, a ganância dos banqueiros e outros capitalistas, os leve a desviar dinheiro.

                    Ninguém pode negar o esquema atrás descrito, porque esta é a realidade económica e financeira dos nossos dias, reconhecida pelos economistas de renome mundial, que como se sabe, pertencem na sua maioria ao regime capitalista, portanto, insuspeitos. Resta portanto analisar, onde está o problema e a polémica à volta do Imperialismo:                  
                    Por aquilo que foi descrito, será fácil ver, ser o grande capital, que é detentor da Banca e do mundo Financeiro, nacional e internacional. Assim, temos que todo o Capital que compõe a Banca, quer como proprietária, quer como beneficiária, tem os seus alicerces na produção, nem poderia ser de outra maneira, pois só esta gera valor (o ditado que dinheiro faz dinheiro, é uma treta. O Capital, é produto do valor da produção, feita por muitos e acumulado por alguns).                      Onde está então o grande Capital do mundo financeiro, que com as suas garras domina o mundo na quase totalidade, e com dois terços dos seus habitantes? Principalmente, nos EUA, na Inglaterra, Alemanha e Japão.
                     Quem domina nos EUA? As indústrias militares e farmacêutica.
                     Quem domina na Inglaterra? As petrolíferas.
                     Quem domina na Alemanha e Japão? As grandes indústrias multinacionais da electrónica. Por onde é controlado o dinheiro? Por Wall Street, The City, Frankfurt e Tóquio com as cumplicidades e jeitos de Zurique e, mais recentemente, os chamados paraísos fiscais, alguns em plena UE, como o caso do Luxemburgo e da Holanda, onde se lava o dinheiro mais negro: droga, armas clandestinas, tráfico humano, fuga de impostos, etc. (por múltiplos aspectos, a Suíça também é considerada um paraíso fiscal).                                   
                                           
                                               A REVOLUÇÃO CONTRA O IMPERIALISMO FINANCEIRO                     
                     
                      Como vamos fazer o assalto ao mundo financeiro, que aparentemente nos domina?                     
                      Não contrair mais empréstimos? Não utilizar cartões de crédito? Retirar todo o dinheiro dos bancos? Ganhar eleições e nacionalizar a Banca? Negar o pagamento das dívidas? Prender, julgar e condenar os “banqueiros”? Fechar as Bolsas?                     
                      Nada disto faz sentido. Não contrair empréstimos, é condenar toda a vida de milhões, biliões, de pessoas a uma regressão no bem-estar a que o consumismo habituou e, que seria do mais injusto possível, porque são elas as produtoras dos bens. Não utilizar cartões de crédito, é o mesmo que não contrair empréstimos, principalmente em países como os EUA, onde se vive e sobrevive do sistema (aliás, o cartão de crédito, é equivalente a empréstimo, para consumo imediato). Retirar o dinheiro dos bancos, é condenar as empresas à falência, por falta de crédito e o próprio povo, que por lá recebe os salários, muitas vezes com o crédito às empresas. Nacionalizar a banca, simplesmente, sem medidas adicionais, corresponde a um boicote produtivo, para mais com o mundo dominado pelas multinacionais. Negar o pagamento das dividas, privadas ou publicas ou ambas, é o igual boicote e pressão internacionais, incluindo a intervenção militar, que se tem no horizonte. Prender, julgar e condenar os banqueiros, é aplicar a justiça a homens-de-mão, e deixar os criminosos mandantes de fora. Fechar as Bolsas, não acaba com metade dos negócios do dinheiro. E o rol de contradições num ataque ao mundo financeiro é, enorme, sem fim.                                          
                      Que nos resta? O Capital Produtivo. Os meios de produção, o capital com rosto, com máquinas, com homens produtores; localizados fisicamente em diversos pontos do globo (pode haver milhentas de fábricas, empresas produtivas industriais, agricultura, pescas transportes, propriedade de multinacionais espalhadas, mas têm sede física num ponto, seja nos EUA, na Alemanha ou na Inglaterra ou noutro país). Os seus proprietários, sejam por acções ou famílias inteiras, têm nacionalidade, naturalidade, são pessoas com trabalhadores a produzir bens, que lhes dão as fortunas e ainda pagam aos bancos de que são accionistas, o crédito com que são alienados. As suas sedes, pagam impostos e obedecem às leis do país de que são naturais. Mesmo que controlem à distância governos e bancos no estrangeiro, antes de mais, controlam os seus governos, as suas polícias, os seus exércitos. São estes proprietários privados, que controlam e mantêm as moedas independentes, que ainda são a maioria no planeta. Esta é a realidade, tenha a gente o sonho ou não, de um planeta uno, sem governo, em auto gestão, com um Homem Novo.                                              
                       A economia capitalista é global, mas não total. Não total, porque há países, onde não existe e outros, onde se instala a par de uma economia socialista (só a China, tem um terço dos habitantes da Terra). Mas mesmo a economia dita global, depende antes de mais de pontos originais, com leis próprias, países, que nem foi a burguesia capitalista, que fundou. Países com muitos séculos de história, com cultura enraizada nas mentes dos seus povos, que ainda hoje dão a vida por eles, mesmo tendo os mesmos interesses que os seus irmãos de a milhares de quilómetros (setenta anos de economia social, mesmo com todos os erros, não chegaram para unir definitivamente os povos da URSS).                       
                       O capitalista, não tem pátria. Para ele, qualquer ponto do globo serve para extorquir lucro, mas as suas empresas, têm. Os seus operários, estão sujeitos ao território onde exercem a sua profissão, onde têm governos, na maior parte das vezes, fantoches do capital, que trabalham segundo Constituições e Leis nacionais. O Capital Fixo, está fixado e não é global: global, é alguma produção e são as relações de produção, que como sabemos, são contrárias aos interesses dos produtores.                        
                      Sabe-se então, que o Capital está localizado, apesar da sua produção se espalhar por outros países em alguns casos (parecem muitos produtos neste mundo global, mas são apenas alguns, essenciais é certo, mas poucos: automóveis, fármacos, electrónica, têxteis, turismo, químicos e pouco mais) na exploração do baixo custo da mão-de-obra e que, as relações de produção, os negócios, se fazem a nível global. Sabe-se igualmente, que o mundo financeiro, com as suas organizações nacionais e internacionais, os seus bancos, companhias de seguros, Bolsas, agências de notação, etc., se espalham pelo mundo, como braços armados do Capital….., do Capital localizado. Do Capital, que como todo o meio capitalista, é acumulado á custa do proletariado produtivo. Proletariado, que está localizado onde está o Capital Fixo, mesmo até, como é o caso das multinacionais, que as suas sedes, se situem a milhares de quilómetros. Sabe-se também, que os milhões de milhões de dólares que se movimentam, não passam de números informáticos, que servem de isco, por antecipação, ao verdadeiro dinheiro, que só pode surgir após produção e os mercados se movimentarem.       

                         ASSIM, É TEMPO DE RECONSIDERAR ONDE ESTÁ O INIMIGO PRINCIPAL DOS POVOS.                     

                       Mediante o exposto, podemos aperceber-nos de que o Imperialismo Financeiro, não é mais do que um meio e, quase abstracto, usado pelo capitalismo, para melhor explorar os povos, cujas consequências são quanto mais trágicas, quanto mais pobres são; e esta exploração, não é só do hemisfério Norte sobre o Sul, mas também no próprio hemisfério Norte e, pior, dentro da própria UE, onde os países periféricos, sentem na pele o poder alienatório do dinheiro: não produzir e consumir o que é produzido nos países poderosos ou nos países pobres pelas multinacionais sediadas nos países ricos (p. ex., no caso da electrónica, Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda, Itália e Chipre, não produzem, e são obrigados?! a consumir, o que as multinacionais do Norte e Centro da Europa produzem na Ásia).                     
                       Então, vamos combater o que só existe em computadores, ou o que está por detrás do poder informático da finança? – A resposta é óbvia: é o Capital concreto e não abstracto que temos de combater, derrotar e, sobre ele, fundar outra sociedade. Ao derrotar o Capital (industrial, agrícola, transportador), o mundo financeiro, o falso mundo do dinheiro inexistente, desaparecerá, para restar somente o dinheiro, a moeda mercadoria necessária à transacção dos bens existentes, produzidos pelos povos trabalhadores.                         

                                      ENCONTRADO O INIMIGO PRINCIPAL, ONDE E COMO COMBATÊ-LO?                     

                       Onde ele está. Em cada um dos países, seja nas sedes, ou onde estão as filiais. É aí que o proletariado, conduzido pela classe operária, armada com o marxismo através do seu Partido, tem que tomar o poder político e económico, onde se inclui então, a Banca com todo o seu império de falsas dividas, falsos créditos, falso dinheiro.                     
                       Mas os países são todos iguais? Claro que não. Há países, regiões inteiras, onde o desenvolvimento atingiu níveis altamente consideráveis, outros, onde o desenvolvimento, embora comparável aos mais ricos, é assente em alicerces falsos e, outros ainda, onde a miséria é total. Mas esta divisão, ainda não é única, havendo as culturais, que acompanham a económica ou estão dependentes de burguesias corruptas, ricas e autocráticas, a maioria das vezes com a ajuda das religiões dominantes, que acabam por manter o nível cultural em plena Idade Média.                     
                       Então, porque considerar a Revolução Socialista no todo? Não será essa proposição, uma utopia, ou pior, um meio de impedir essa mesma revolução, por condenada ao fracasso?                      
                       A História nos ensina, que as sociedades se sobrepõem dentro de uma lógica; uma lógica económica, onde as relações de produção, num dado momento, têm de ganhar correspondência com os meios de produção. Que desejam: que o Sudão se transforme numa imediata república socialista? Ou pior em termos culturais, que a Arábia Saudita faça a Revolução Socialista?                   
                      Até os próprios EUA, o maior império da História, a Alemanha, o Japão, a Inglaterra, etc., já tiveram a sua altura, perdendo grande parte da sua Classe Operária, transferindo a produção para outros países de mão-de-obra mais barata; aburguesando o seu proletariado, alienando-o com um poder de compra falso com créditos e com a exploração de outros povos, tendo agora de esperar que esses países de produção industrial intensiva façam a sua revolução, tirando assim o tapete debaixo dos pés do Capital e dos próprios povos aburguesados, obrigando-os a tomar posição.                  
                      Não quer dizer, que esses países ricos, tenham as relações de produção certas. Apenas não têm quem comande uma revolução, quer na prática produtiva quer mesmo na ideológica, pois há muito que os Partidos Comunistas se foram.                    
                      
                      Portanto, considerar a Revolução Global, para já ou em simultâneo no futuro, é anti dialéctico, anti materialismo histórico. É ignorar as diferenças existentes entre políticas, economia, desenvolvimento educacional, cultural, relações de produção e na própria produção.                    
                      Países há, em que a burguesia nacional, ainda tem de conquistar à monarquia e ao feudo religioso, as liberdades individuais, desenvolver as relações de produção capitalistas, criar um proletariado produtivo e não produtivo, para depois então, esse mesmo proletariado, poder pensar na conquista do poder (Grande parte dos países do Norte de África e Médio Oriente, é assim que estão: pouco mais que feudais).                   
                      Países há, em que o desenvolvimento tornou a fazer recuar a classe operária quer em número absoluto quer culturalmente, tornando a Revolução Socialista, uma utopia para pequeno burgueses, sonhadores, porque após tomar o poder, ficariam à mercê dos países produtores, que se não fizerem a sua revolução, apertariam o garrote, e a sua sobrevivência seria de poucos meses (São todas as grandes potências capitalistas, mais os seus satélites, como Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda, Chipre, etc.). Estes países têm antes de mais, de fazer uma Revolução Democrática Popular, de cariz misto, onde as principais empresas estejam nas mãos do Estado e seja incentivado o recrudescimento do desenvolvimento capitalista, a fim de criar uma nova e formada Classe Operária, capaz então de conquistar o poder. O que se passa na América Latina e a tentativa grega, são bons exemplos, apesar da confusão com os ataques imperialistas e a corrupção imperante.                       
                     Finalmente, países há, em que é possível a Revolução Socialista, desde que tenham no seio do seu proletariado, Partidos Comunistas, em toda a sua acepção da palavra. De uma maneira geral, serão todos os países fortes em produção industrial, mesmo que vítimas das multinacionais.                     
                     A questão da simultaneidade da Revolução Socialista, é absurda, é condenar o Planeta à miséria. O proletariado actual global, não chega para sustentar 7 000 milhões de seres humanos, de uma forma equitativa, embora pudesse distribuir a riqueza de outra maneira, mas seria sempre num sistema de ajuda, enquanto o lema socialista, é: a cada um, segundo as suas capacidades. Seria a manutenção do miserabilismo, com a diferença que em lugar de sustentar as crianças africanas com 2 € diários, o faria com 5 € (é somente um exemplo), enquanto as nossas seriam com uma ou duas dezenas de Euros.                          

                    Também na questão politica, seria muito difícil. O passado nos ensina, que com toda a Europa do Leste no caminho socialista, mais a China, o Vietnam e Cuba, não foi o suficiente para aguentar o embate do Imperialismo, levando a erros, que se traduziram na derrota na Europa.                        
                     A revolução socialista, num mundo em que a economia capitalista é global, na produção do não essencial, enquanto a produção dos produtos de primeira necessidade é local na sua maior parte, só poderá ter efeitos positivos, à medida que os povos se forem libertando das amarras sociais retrogradas (cultura e economia semi feudal/burguesa p. ex. a Arábia Saudita; capitalismo financeiro submetido ao estrangeiro, como Portugal; capitalismo mercantil à custa dos outros povos, como os EUA; miserabilismo à custa da corrupção, como certos países africanos, etc.). De momento, só a área asiática, com a R P da China incluída, teria hipóteses de uma revolução socialista e, mesmo assim, terá de ser acompanhada de uma revolução democrática popular em quase todo o ocidente, senão, não há hipóteses, repetindo-se o caso da URSS. E nenhum país conseguirá uma sociedade comunista, sem que todos estejam no socialismo. E nada disto conseguirá ir avante, se não forem reunidas determinadas condições, como a formação de uma Internacional, onde possam ser controladas de uma forma marxista, as diversas revoluções e a integração faseada dos diversos países numa comunidade socialista à medida que as revoluções forem surgindo (uma comunidade e não um país único, sem que o avanço cultural, que só surgirá muitos anos depois das revoluções – é a pratica que inculca os sentimentos – não oponha obstáculos a essa perda de identidade nacional: não a perda de identidade cultural). Se assim não for, teremos anexações, semeadoras de ódios, como se pode ver com as partilhas feitas nas ex republicas soviéticas.                        

                    Arranquemos para a Revolução, ou seja, para as Revoluções necessárias, especificas a cada sítio. Arranquemos para a unidade dos marxistas, essa sim, a nível global, porque são eles os únicos democratas conhecedores da verdade histórica. Arranquemos para a sociedade futura, com os pés bem assentes no chão, sem aventureirismos.                       
                    Só assim conseguiremos derrotar o Imperialismo, o Capitalismo.

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por docarlos.blogs.sapo.pt às 18:01


3 comentários

De João Medeiros a 12.05.2015 às 19:40

O imperialismo não é só o domínio de uma potência maior sobre países mais fracos — à imagem da dominação colonial. É acima de tudo a criação de laços de dependência que envolvem (em graus diversos) as burguesias dos centros imperialistas e as burguesias de cada país.
Não se trata, no caso destas, de burguesias meramente intermediárias, como se falava, nas situações dos países colonizados, de burguesia “compradora” — isto é, de burguesias sem uma capacidade económica própria, servindo as mais das vezes como meros agentes da espoliação de matérias-primas.
No caso dos laços imperialistas, trata-se de burguesias subalternas, certo, mas que têm capacidade económica própria, fazem parte da rede de exploração por inteiro do país. E é através dessa capacidade que o colocam na condição de elo da cadeia imperialista. Esta burguesia não é só financeira no sentido estrito do termo: integra, pelo menos no nosso caso, todo o grande capital e largas franjas do capital médio de todos os sectores económicos.
Para esta burguesia, a soberania nacional não é questão que se ponha, a menos que isso lhe sirva pontualmente para regatear margem de manobra face às potências, ou que sobrevenha uma crise que abale os equilíbrios estabelecidos. Dizer dela que abdicou ou é incapaz da defesa da soberania, nem sequer faz sentido dado o seu próprio papel na cadeia imperialista, de que é membro de pleno direito.

Mais algumas considerações

1) Considerar como inimigo apenas o capital financeiro, conduz à ilusão nacionalista de sectores pequeno e médio-burgueses, como o PCP, para já não falar do BE com a sua “Europa dos cidadãos”.

2) A causa da crise não é o neoliberalismo. Pelo contrário, só deu um novo fôlego à acumulação do capital. Apesar desse novo fôlego, o capital não conseguiu sair da crise. Apesar da amplitude considerável da baixa do custo do trabalho e do alargamento da sua área de valorização a centenas de milhões de novos proletários arrancados aos campos de que pôde beneficiar nestes últimos trinta anos, o capital não conseguiu retomar um ciclo de acumulação duradouro.

3) Não podemos desprezar o papel hegemónico do proletariado na questão nacional, que Lenine enfatizou.

4) No seu afã em defender Lenine, alguns esquecem que:
- A exportação de capitais hoje difere significativamente do período da segunda revolução industrial e mesmo do período de ouro do Estado providência;
- Na actual exportação de capitais cerca de 80% do investimento directo estrangeiro não se dirige aos países da periferia, mas aos países centrais. Se a exportação de capitais se está desenvolvendo centralmente entre os próprios países imperialistas, a relação de subordinação e de trocas desiguais deve ter uma nova leitura, e não ficar restrita à tradicional subordinação entre os países imperialistas do passado e as suas colónias ou nações satélites;
- A partilha económica e territorial do mundo também se desenvolve de maneira bastante diferenciada do período inicial do imperialismo. Está em curso, com uma série de problemas, a formação dos blocos económicos nas principais regiões económicas do mundo. Estes blocos reflectem, por um lado, os problemas e contradições da luta inter-burguesa, e por outro, uma surda luta de resistência contra a tentativa norte-americana de manter o seu domínio.

5. Dizer que, afinal, os operários “têm” pátria, é cair nas teias do nacionalismo burguês.
O proletariado não pode desenvolver qualquer cultura nacional devido à posição de extrema exploração que padece no capitalismo. Só “terá pátria” quando tomar o controlo do Estado através de um processo revolucionário, daí que “ainda não tenha pátria”. A classe operária é por definição “internacional”, portanto é irrelevante a sua identificação com qualquer quadro nacional burguês.

De João Medeiros a 12.05.2015 às 19:41

Conclusão

6. Em síntese, diria que, objectivamente, o sistema capitalista está potencialmente mais fraco que no período do imperialismo clássico. Isso não significa que o capitalismo esteja no fim, mas que o volume de contradições é tão grande que a crise poderá originar uma situação revolucionária.
Além disso, por mais paradoxal que pareça, a reestruturação produtiva em curso está a construir as bases para uma sociedade da abundância, uma vez que o desenvolvimento das forças produtivas aumentará de maneira extraordinária a produtividade do trabalho. No entanto, como todos sabemos, o sistema capitalista não tem nenhum compromisso com o progresso social e, portanto, não será capaz de satisfazer as necessidades materiais da população. Será preciso destruí-lo!


De João Medeiros a 12.05.2015 às 21:26

Justiça lhe seja feita, Carlos, mas não é isso que o "seu" PCP defende, não é verdade? A crítica é válida, nesse contexto ... Em caso algum, eu defendo a abstracção de um proletariado europeu, Carlos.
Trata-se, tão só, de realçar o atraso tremendo no que concerne ao internacionalismo. Ao dirigir todas as atenções para o capital financeiro (no qual vê a personificação exclusiva do domínio imperialista), o PCP acaba por colocar as demais camada capitalistas no saco das classes oprimidas. E é daí que resulta a sua incapacidade para definir uma linha política baseada no confronto de classes.

Nisso reside a nossa diferença de perspectivas. É que — a partir da observação da evolução do capitalismo nas últimas décadas, da crise em que se arrasta, da integração do capitalismo português na UE, do extremar de posições de classe que isso implica — defendo a ideia de que se criam condições para um novo ciclo revolucionário e, portanto, a necessidade de reerguer a luta anticapitalista, de base proletária. Ao passo que — passando ao lado de toda aquela observação, vendo apenas por fora a expansão e o reforço do domínio imperialista sem lhe detectar as contradições internas — só se pode deduzir a necessidade de unir forças populares, nacionais, para defesa da soberania da nação, como faz o PCP.

Embora certas acções coordenadas à escala europeia possam ter um efeito propagandístico positivo, o que quero é alertar contra o falso optimismo da “globalização das lutas”.

Acredito que o internacionalismo proletário europeu não se constrói com campanhas de cúpula mas com acções mais enérgicas no terreno, de cada proletariado contra a sua própria burguesia. Isto significa que, ao mesmo tempo que estreitamos laços internacionalistas, os revolucionários em cada país têm que prosseguir e reforçar a luta para arrancar o proletariado à influência do reformismo, à tutela da pequena burguesia.

E este trabalho deve ser inscrito numa nova base programática e num novo partido, em torno do qual se possa fazer a unificação política do proletariado. Só a presença autónoma do proletariado na cena da luta de classes pode modificar a situação e abrir outras perspectivas, ao contrário das posições nacionalistas defendidas por PCP.
É esse o sentido da minha crítica, Carlos! Um abraço.

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