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docarlos



Quinta-feira, 21.08.14

Expansão capitalista e suas consequências (1)

                     Do "boom" capitalista até ao Trust, passando pelo monopólio (a)

                  A mais-valia e a inflação

                   

                    No Post anterior, analisei a questão do salário e do aparecimento do lucro, suporte de toda a sociedade capitalista e que coloca a maior fatia da riqueza, nas mãos de uma minoria, enquanto que quem na realidade produz, fica com o "suficiente?!" para "ir vivendo e reproduzindo-se"; mas isto, tem consequências.

                        Como vimos, o lucro aparece do trabalho executado, que não é pago ao produtor, o que quer dizer, que, como a vida é uma competiçao permanente, o capitalista para poder vender no mercado, mais do que os seu concorrente, terá forçosamente de lá colocar os produtos, mais baratos. Para isso, só tem duas opções: ou se limita a ganhar menos, ou, o mais usual, aumentando a produtividade, que é como quem diz, obrigando o trabalhador a produzir mais pelo mesmo dinheiro, ou encolhendo os salários, como acontece nas crises.

                        O lucro, ou mais-valia, acumula capital e serve para reprodução do mesmo, para além dos gastos pessoais do capitaista. Portanto, parte do lucro, é para investimento e expansão das empresas, que cria mais produtividade, podendo as mesmas, colocar os produtos mais baratos no mercado. Ao colocar mais barato, vai obrigar as outras empresas do ramo, a uma maior produtividade, o que obriga, a um menor poder compra relativo e à criação de stokes acima do razoavel (no caso dos pereciveis a situação torna-se dramática em pouco tempo).

                         Quando esta situação surge e ameça pôr na falência as empresas mais fracas, por impossibiliddae de competição, os Governos geralmente injectam dinheiro na circulação, obrigando à desvalorização da moeda, para que as empresas avancem para as exportações e dar mais poder de compra aos consumidores. Só que estas duas posições, são antagónicas, porque a nivel interno, os preços sobem e os salários também. Então, os governos fazem o contrário, retendo e tirando moeda de circulação, afim de fazer com que os preços desçam com a oferta maior do que a procura: nunca é possivel equilibrar, porque nada é planeado segundo as necessidades do mercado. Mesmo que uma empresa, planei segundo o mercado possivel, outra pode fazê-lo também e a situação de sobreprodução, continua.

                          A inflação, ou deflação, que é o seu contrário, geralmente tida como consequência da subida dos preços ou descida, respéctivamente, não passa de uma consequência da colocação de moeda em circulação ou retirada da mesma. Ou seja, é a subida dos preços que é consequência e não origem da inflação. Esta, é somente uma manobra financeira para tentar regular o mercado (neste momento impossivel para Portugal, por estar integrado no Euro).

                          Assim, a mais-valia, origem da concorrência capitalista, é também o seu coveiro. As crises capitalistas, geralmente separadas de uma década, têm como resultado um recuo civilizacional e económico. Só se mantém um avanço em relação ao periodo anterior, porque geralmente há avanços tecnologicos nos anos de expansão, quando a procura de mais-valia, que no entanto é destruida em parte ou no todo, pela crise.

                          Mas a mais-valia e a inflação e demais manobras capitalistas, tem outras consequências terriveis, sendo o desemprego por falência das empresas, o mais daramático, para os sofredores directos e para os que conseguem ficar a trabalhar, que o têm de fazer mais barato.  A falta de poder de compra, tanto num lado como no outro, leva a mais falências e mais desemprego. Só quando atinge o fundo, é que o ciclo de crescimento recomeça. 

                          Nesta altura, e como exemplo prático, os países periféricos da UE, necessitam de um injécção monetária, de inflação, para que cresça o poder de compra, as empresas invistam e possam colmatar as faltas internas e ainda exportar com vantagem nos mercados internacionais. Mas esta necessidade, entra em choque com os interesses da Europa Central e Norte, especialmente a Alemanha, a quem convém por enquanto, a retenção da moeda, para que os paises não produtores, possam comprar a altos preços os seus excedentes, numa guerra surda com o dólar. É por este motivo, que os países do Sul mais a Irlanda, não saem da pasmaceira e da miséria.

 

                          Do monopólio ao Trust.

 

                      Aquando a conquista do mercado, duas coisas podem acontecer: ou as empresas em expansão, levam as outras à falência, provocando desemprego; ou vão adquirindo pela compra as outras empresas do ramo a que se dedicam. Estas manobras, levam as empresas a ficar com o monopólio do ou dos, produtos em questão, impondo preços por falta de concorrência e impondo salários, porque a força de trabalho é vendida no mercado como se de outra mercadoria se tratasse. Isto acontece a nivel nacional ou mesmo internacional, assunto a que voltaremos quando analisar-mos as multinacionais e a chamada globalização.

                          Ainda há uma terceira via possivel, que é a combinação de preços entre empresas equilibradas, que não têm poder de destruição sobre as outras concorrentes: trata-se da chamada cartelização. Nota-se bastante o sistema, nas petroliferas, farmaceuticas, e na economia paralela das drogas. 

                          Mas, o poderio económico das grandes empresas, leva ainda a outra situação mais grave e que piora sobretudo a dos trabalhadores: o Trust.

                          Este, é a adquirição pelos monopólios, de tudo ou, grande parte, do que complementa o respectivo negócio. P. ex.:, no caso das camisas, a compra das herdades ou produção, onde se cultutiva o algodão; das empresas de transporte; das empresas onde se fabricam teares e máquinas de confecção; grandes armazens; e ainda de grades lojas das redes de destribuição a retalho.

                          Com isto, evitam-se grandes oscilações nos preços, criam-se condições para reter mercadoria afim de originar falsa inflação, ou lança-la no mercado para provocar uma descida, se necessário fazer frente a outro grupo económico.

 

                          Os monopólios e trusts, são a situação de marca, para o inicio do imperialismo económico.

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por docarlos.blogs.sapo.pt às 23:36



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