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docarlos



Segunda-feira, 16.11.15

A INDIVIDUALIZAÇÃO DO SER

                Despir o Homem de todo o sentido de vivência social, eis o objectivo primário da actual burguesia.

                Trazer à sociedade, a questão das liberdades individuais com o prossuposto das leis darwinistas da evolução na base da sobrevivência do mais forte, do mais bem adaptado e aniquilação do mais fraco, tornou-se na palavra de ordem, sobre a qual assentam toda a panóplia de Direitos Humanos, justificando assim, o "direito" de todos a terem as mesmas oportunidades, mas só alguns a serem os possuidores ds meios de produção e da consequente riqueza produzida.
                 No entanto, esta formula filosófica nascida com a revolução burguesa, é a mais pura contradição às próprias leis da evolução de Darwin, que dão a algumas espécies, entre elas o Homem, a necessidade da vivência em grupo, em sociedade (impensavel um macaco, uma abelha uma formiga, viverem isolados). Contradição essa, mais agudizada com o próprio desenvolvimento produtivo sobre o qual assenta o capitalismo,onde a prdução em massa, entra em contradição com as relações de produção.
                 O Homem, não pode ser individualista para consumir aquilo que produz socialmente. Já não há nenhum objecto, produzido integralmente por um só individuo, a não ser no caso do artesanato, que passou a ser artigo de luxo. Qualquer componente electronico, p. ex, por mais pequeno que seja, tem por vezes dezenas de executantes, que para isso ganham um salário, mas cujo lucros de fabrico, vão parar exclusivamente aos bolsos do capital detentor dos meios de produção.
                 Gritar aos sete ventos pelos Direitos à liberdade individual, à propriedade privada, à livre expressão do pensamento quando este é condicionado, é um atentado à inteligência do ser humano, à vivência comum, à distribuição justa da riqueza produzida. Uma serie de meios, que vão desde a escola, igreja, comunicação social, video jogos, literatura de cordel, diferenciação salarial para trabalho igual, submissão e exclusão no feminino ou o seu inverso, com o insentivo à luta da mulher, jogos, concursos, etc, alienam as grandes massas de tal maneira, que a competição, a luta pela supremacia sobre o vizinho, o colega, o amigo, até o companheiro/a e os filhos, tornou-se uma necessidade subjectiva, em detrimento daquilo que faz andar a História: a luta de classes. Viver só, isolado do que o rodeia, provoca atraso ideológico; faz esquecer os deveres de solidarie dade, semeia o ódio, a inveja, o reconhecimento dos mesmos direitos ao outro; cria um sentimento de superioridade e impunidade sobre o seu semelhante; não reconhece que veste a camisa que o outro fabrica, mas lembra que ele come as batatas que semeia e colhe.

                 O Homem, está hoje reduzido à sua expressão mais infima, o seu ser. Cada individuo, já não é uma parte do todo, mas apenas si próprio, os outros não interessam. A tal ponto está individualizado, que até na saúde, catastrofes, na morte, cada um se julga livre e que os acontecimentos são exclusivos dos outros; os acontecimentos em França, demonstram bem isso.
                 Mais acima, sublinhei a questão da luta das mulheres, por ser uma das emblemäticas da destabilização da vivência em comunidade: a independência feminina no casamento, secundarizando o homem pela condição muito especial da mulher na maternidade, é um passo muito importante para a desagregação da sociedade. Repentinamente , muda-se, quase da submissão total da mulher, no seu oposto, sem que se tenha preparado a sociedade para o choque, onde o Homem com uma cultura ancestral de poder, se vê reduzido a pouco mais que nada. Um dos poucos pontos de vivência social, é com a família, ora, um divorciado ou solteirão, perde todo o contacto com essa realidade, e se for pai/mãe solteiro, então é o descalabro, para si e para os filhos, que por sua vez irão ser independentistas.

                Já não se vai ao barbeiro, cabeleireira, mercearia, ao café, ao cinema e teatro, confraternizar. É toda uma vida em corrida, em que cada um por si, cuida de si. É necessário criar condições para viver em sociedade, para a sociedade. Em casa e no trabalho, onde toda esta educação, tem a sua base, é preciso desligar o botão da TV na hora da refeição conjunta, fazer do PC, essencialmente um instrumento de trabalho e consulta, ter uma conta bancária única para a familia, conversar enquanto se come, tomar decisões conjuntas, saber ouvir o parceiro, os filhos e os pais, amar a qualquer hora, e não só à noite na cama, por obrigação. No trabalho, lutar sempre em conjunto porque o inimigo é comum, independentemente das simpatias que se tenha, etc. Resumindo, não se pode deixar criar divisão. A vida em solidão, com muita gente à volta que se ignora, é o principal inimigo do Homem, e a aliada perfeita dos exploradores. A estes, já não basta dividir organizações, paises, etc., também têm de dividir os seres humanos entre si. A sociedade de consumo, é o ponto de partida para a individualização.

                 Não se pode deixar que isto aconteça. Não se trata da solidariedade para com os aflitos, os pobres, os doentes: trata-se da solidariedade total, entre os seres humanos. Isolar sim, os "maus", os exploradores, os belicistas, os verdadeiros criminosos.

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por docarlos.blogs.sapo.pt às 17:55


1 comentário

De uniondes peuples a 16.11.2015 às 18:17

Bravo, Carlos Alberto Fialho !!!
Partilho inteiramente o conceito geral do seu texto.
As melhores saudações revolucionarias, desde
Pornichet ( 44380 ), 16/11/2015 José Rocha da Fonseca.

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